AUTOMÓVEL | OPINIÃO 27 Analisando as expectativas da revisão da Diretiva, aparentemente não haverá espaço para os plásticos de origem biológica, uma vez que não existe nenhuma meta específica para a sua incorporação. No entanto, os plásticos de origem biológica podem e devem ser considerados na produção automóvel. A utilização de plásticos de origem biológica poderá potencialmente resultar na diminuição da pegada carbónica, pois, durante a sua produção, é retirado dióxido de carbono da atmosfera. Contudo, existem outras condicionantes que podem levar a que este benefício não seja significativo, pois depende de muitos outros fatores, como a origem biológica e o uso do solo associado à produção do material biológico que servirá de base à produção do plástico. Por esta via podem ser produzidos Bio-PP, Bio-PE, Bio-PET, Bio-ABS, Bio-PA, Bio-PU, idênticos aos plásticos tradicionais e passíveis de serem reciclados, permitindo assim cumprir as metas propostas pela revisão da Diretiva. Destes, os que já se encontram a ser aplicados na indústria automóvel são o Bio-PP e o Bio-ABS, segundo a European Bioplastics. De acordo com a mesma fonte, o teor de carbono de origem biológica não é de 100% em todos os plásticos mencionados, variando entre 20% e 100%, o que poderá atenuar a vantagem ambiental relativa à pegada carbónica. Segundo o relatório da CE Delft intitulado ‘Biobased Plastics in Vehicles’, os plásticos com maior potencial de substituição de plásticos tradicionais pelas versões de base biológica são o PP, PE, ABS/SAN e PA, correspondendo a um potencial de substituição entre 67 e 70%. O futuro da utilização de plásticos de origem biológica ou de plásticos reciclados será, certamente, um futuro conjunto, no qual ambos terão lugar na indústria automóvel. Haverá aplicações que permitirão o uso de plástico reciclado (do mesmo tipo de polímero, quer seja de origem biológica, fóssil ou de ambas) e aplicações onde o plástico de origem biológica poderá ter bom desempenho. Não só os impactes ambientais, como também o custo das matérias-primas e de produção das peças ditarão o futuro destes materiais neste setor. n Visite-nos na MOLDPLAS 13 a 15 de novembro
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