15 ANÁLISE DE MERCADO EVOLUÇÃO DO MERCADO O número total de máquinas de injeção vendidas em Portugal em 2024 sofreu um decréscimo em relação a 2023, ano em que se tinha registado uma queda mais abrupta. A maioria dos participantes no estudo de mercado, como Martin Cayre, diretor-geral da Arburg Portugal, considera que este novo abrandamento, ainda que ligeiro, se deveu ao congelamento de projetos na indústria automóvel, setor do qual muitas empresas nacionais dependem e que continua a gerar inquietude. Tanto Rui Folhadela, sócio-gerente da Folhadela Rebelo, como Rui Fonseca, sócio-gerente da Tecnofrias, e Ricardo Reis, gestor operacional na Jucatec, referem a crescente concorrência asiática como principal causa desta conjuntura. “A facilidade com que os players internacionais do setor automóvel compram peças fora da Europa, a preços que não pagam nem o material nas nossas fábricas, torna tudo muito difícil”, refere Rui Folhadela. Ao mesmo tempo, “a entrada massiva no mercado europeu de veículos totalmente produzidos na China agrava este panorama e coloca a indústria automóvel europeia numa situação ainda mais complicada, que exige uma reinvenção urgente”, alerta Ricardo Reis, lembrando que, “no território nacional, muitas empresas já encerram portas por falta de encomendas e de novos projetos”. Jorge Júlio, diretor-geral da Inautom, adiciona “o congelamento das verbas das linhas de apoio ao investimento e a conjuntura internacional”, como possíveis causas para a situação vivida pelas empresas portuguesas. Hugo Brito, diretor-geral da Equipack, lembra que este abrandamento surgiu “com algumas surpresas, principalmente na necessidade das OEM, que em alguns casos reviram em baixa a venda de automóveis e, por sua vez, a necessidade de peças”. Já noutros setores, como o packaging ou medical, “não se notou grande variação”. De facto, como diz Tiago Coelho, gerente da Augusto Guimarães & Irmão, “após o período de correção que foi 2023, os setores reagiram de forma bem diferente. Houve projetos de grande escala e alto impacto em segmentos como o da distribuição de energia e da produção de filme, que foram finalizados ou decididos em 2024, tal como houve tantos outros, principalmente na área automóvel, que foram atrasados, com impacto significativo no mercado da injeção”. Na área dos plásticos utilitários, Ricardo Reis recorda o encerramento da Tupperware, facto que veio demonstrar “a preferência dos clientes por soluções mais baratas, muitas delas importadas”. Em suma e em geral, todos os participantes olham para 2025 com cautela. “Acho que este é um ano de transição, especialmente no mercado automóvel”, diz Martin Cayre. Rui Fonseca alerta, no entanto, que “a mudança de direção na política comercial dos EUA pode vir a agravar esta conjuntura, principalmente se se concretizar a ameaça de tarifas sobre as importações europeias, especialmente no setor automóvel, crucial para economias como a alemã. Além disso, a incerteza comercial pode levar a uma redução no crescimento económico”. OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO Perante a instabilidade na venda de máquinas, os fornecedores reforçam a O ‘Estudo de mercado de máquinas de injeção’ realizou-se a 7 de fevereiro, no Nerlei, Leiria. MARCAS DE MÁQUINAS DE INJEÇÃO PARTICIPANTES NO ESTUDO DE MERCADO DE 2024: • Arburg, presente diretamente no mercado nacional • Boy e Billion, representadas pela Mapril • ChenHsong, representada pela Go.Tec! • Engel, representada pela Equipack • Fanuc, representada pela AGI • KraussMaffei, representada pela Folhadela Rebelo • Tederic e JSW, representadas pela Inautom • Wittmann Group, representada pela Tecnofrias • Yizumi, representada pela Jucatec
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