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IMPRESSÃO 3D 54 A tecnologia aditiva pode tornar os dispositivos ortopédicos mais económicos e personalizáveis FABRICO ADITIVO NA ÁREA MÉDICA: PRÓTESE MECÂNICA PARA MEMBRO SUPERIOR Tiago Monteiro Matos1, Carolina Coraini do vale Silva2, António Inácio Barbosa e Sousa3, Jorge Lino Alves1, 4 1Mestrado em Design Industrial e de Produto, Universidade do Porto 2Padrão Ortopédico, Porto 3Maquinsertek, Alfena 4Inegi, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Os dispositivos ortopédicos existem há muitos séculos e têm evoluído significativamente, não só para proporcionar uma melhor imobilização, apoio, correção ou proteção, mas também para um mais eficiente tratamento de lesões ou disfunções músculo-esqueléticas (Barrios-Muriel et al., 2020). Neste contexto, a Ortopedia surge como a especialidade médica que cuida da saúde dos elementos do sistema motor, como ossos, músculos, ligamentos e articulações, utilizando meios médicos, cirúrgicos ou fisioterapêuticos (L. Weinstein & A. Buckwalter, 2005). Nesta área da saúde, destaca-se a disciplina que se ocupa do design, fabricação e aplicação de ortóteses e próteses (O&P) para melhorar a função física e qualidade de vida do ser humano (Sakib-Uz-Zaman & Khondoker, 2023). As O&P são dispositivos personalizáveis, com destaque nas próteses concebidas para substituir membros ou partes do corpo perdidas, permitindo restaurar a funcionalidade e autonomia dos utilizadores. Para a maioria das pessoas amputadas, estes dispositivos são essenciais para melhorar a sua mobilidade e a atividade no dia a dia, para além de contribuírem para a sua reabilitação e reintegração social (Rocha et al., 2021). IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA Aproximadamente 0,5% da população mundial necessita de uma prótese, mas apenas uma fração desta população tem acesso a estes dispositivos, em virtude dos elevados custos de aquisição, manutenção e terapias associadas (Ablan et al., 2022). O processo de fabrico convencional é caracterizado por processos morosos e múltiplas operações manuais que visam a adaptação às necessidades específicas de cada utente, mas também gera quantidades significativas de resíduos provenientes da utilização de materiais como o gesso, termoplásticos, silicone, álcool polivinílico (PVA), entre outros. Em resposta a essas limitações, investigadores e profissionais de O&P têm vindo a explorar as potencialidades do fabrico aditivo (FA), uma tecnologia que, conforme demonstrado por Ablan et al. (2022), pode reduzir os custos de produção até 56%. Paralelamente, estudos que compararam dispositivos fabricados por processos tradicionais com os produzidos através de FA, utilizando abordagens como a análise da marcha e avaliações de ajuste e conforto, evidenciaram que os produtos obtidos por FA respondem aos requisitos de perso-

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