5 Indústria europeia dos plásticos reclama medidas para reforçar competitividade A Plastics Europe e outras 33 organizações da cadeia de valor dos plásticos lançaram um apelo à Comissão Europeia para adotar medidas urgentes destinadas a reforçar a competitividade, a circularidade e o investimento no setor. A posição consta de uma carta conjunta, datada de 7 de setembro, apresentada no âmbito da preparação do futuro Ato para a Economia Circular. O alerta surge após um período de forte pressão sobre a indústria. Entre 2023 e o segundo trimestre de 2026, empresas europeias de reciclagem correspondentes a cerca de 1,1 milhões de toneladas de capacidade encerraram devido às condições de mercado, segundo a Plastics Recyclers Europe. Em 2024, a produção europeia de plásticos manteve-se nos 54,6 milhões de toneladas, enquanto a participação da Europa na produção mundial caiu de 25% em 2006 para 12%. As organizações identificam seis prioridades: reduzir os custos energéticos, promover plásticos circulares produzidos na Europa, reforçar a fiscalização, assegurar o cumprimento da legislação, estimular o investimento e a inovação e fortalecer a responsabilidade alargada do produtor. A carta destaca ainda a concorrência de importações de baixo custo, a reduzida procura de materiais circulares europeus e a fragmentação regulamentar. Para os signatários, o futuro Ato para a Economia Circular deverá criar condições para recuperar investimento e consolidar uma cadeia de valor europeia mais competitiva e resiliente. EDITORIAL Há períodos em que a mudança não é uma escolha, mas uma consequência natural da evolução. A indústria automóvel está a atravessar uma dessas fases. As políticas de combate às alterações climáticas, a crise energética e a própria mudança geracional estão a acelerar a transição para a mobilidade elétrica e para novas formas de utilização do automóvel, em que o veículo pode deixar de ser um bem de propriedade individual para passar a integrar serviços de mobilidade partilhada. Esta transformação cria novas oportunidades para a indústria de plásticos, mas também aumenta a exigência técnica. Baterias, sistemas de alta tensão, gestão térmica, isolamento, redução de peso e integração de funções estão a fazer nascer novas aplicações. Ao mesmo tempo, a necessidade de desenvolver soluções mais circulares obriga a repensar materiais e processos. O conhecimento acumulado na cadeia automóvel continua a ter enorme valor, mas terá de ser aplicado a produtos e requisitos diferentes. Neste processo, cresce a importância dos ecossistemas de inovação. Na indústria de plásticos, onde o automóvel continua a ter um peso importante, dificilmente uma empresa consegue, isoladamente, acompanhar a velocidade destas transformações. Centros tecnológicos, universidades, fabricantes de máquinas, produtores de materiais, moldistas, transformadores e empresas utilizadoras precisam de trabalhar cada vez mais em rede. A capacidade de juntar competências, testar soluções e acelerar a passagem do laboratório para a produção pode fazer a diferença entre identificar uma oportunidade e conseguir concretizá-la, incluindo em setores fora da cadeia automóvel. O setor automóvel tem experiência, conhecimento e ‘modus operandi’ que podem ser importantes para entrar em mercados emergentes, como o da defesa. Mas serão necessárias adaptações, quer na velocidade com que se passa do projeto ao produto final, quer na colaboração que esta área exige, nomeadamente através dos tais ecossistemas de inovação. E, acima de tudo, é necessário tomar a decisão de “ir a jogo”, como disse Pedro Petiz, da Tekever, no Innovation Forum do PIEP (leia a reportagem do evento na página 22 desta edição). Mobilidade e defesa são, assim, dois exemplos de uma transformação mais ampla. Para a indústria de plásticos, ambas podem gerar oportunidades em materiais avançados, componentes leves, proteção, isolamento e outras aplicações de elevado desempenho. Mas exigem preparação. As empresas que começarem agora a desenvolver conhecimento, parcerias e capacidade produtiva estarão mais próximas de responder quando estas necessidades se transformarem em projetos concretos. Neste número da InterPlast abordamos amplamente estes temas. Damos igualmente destaque às novidades que poderá encontrar na Fakuma, que este ano celebra o 30.º aniversário, e a novas soluções técnicas na área da soldadura, do software e dos periféricos, desenvolvidas para ajudar os transformadores a navegar estas águas turbulentas. Boa leitura! Inovação para lá do automóvel
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