BP29 - InterPLAST

13 EMBALAGEM A responsável recordou que os sistemas de reciclagem variam significativamente entre países, obrigando empresas globais a adaptar estratégias e soluções aos diferentes contextos regulatórios e operacionais. “Reciclar na Europa é diferente de reciclar nos Estados Unidos ou no Brasil”. Perante essa realidade, a Logoplaste optou por seguir as guidelines definidas pelos próprios recicladores, “que são quem fecha o ciclo”, explicou. Milena Parmigoni deu como exemplo o trabalho desenvolvido pela empresa em Inglaterra, onde há mais de dez anos participa na criação de circuitos fechados para embalagens de leite em HDPE de grau alimentar, uma das poucas aplicações aprovadas para contacto alimentar na Europa. Além do design, a especialista defendeu a necessidade de participar ativamente na construção dos próprios sistemas de reciclagem. “Criamos embalagens para que os sistemas fechem o ciclo”, resumiu. O PROBLEMA JÁ NÃO É O MATERIAL, É O SISTEMA Também Natércia Garrido, responsável pela gestão da qualidade, ambiente e segurança da Silvex, considerou que o principal problema da reciclabilidade deixou de estar na capacidade técnica da indústria para desenvolver embalagens mais sustentáveis. “Diria que o material já não é o problema desta equação”, afirmou. “É sim o fim de vida que lhe é dado”. Segundo a responsável, muitas soluções ambientalmente vantajosas acabam por falhar porque os sistemas de recolha, separação e valorização continuam insuficientes. “Nós podemos ter a melhor embalagem do mundo, mas se o fim de vida dela não é assegurado, nada funciona”, alertou. Natércia Garrido destacou particularmente o caso das embalagens biodegradáveis, frequentemente apresentadas como solução ambiental, mas que podem gerar novos problemas quando não existe recolha seletiva de resíduos orgânicos. “Esta embalagem vai ser mais prejudicial para o sistema da reciclagem do que se ela não existisse”. A responsável alertou ainda para a tendência de decisões tomadas “de forma emotiva” e sem base científica, dando como exemplo a substituição dos copos de plástico por copos de papel revestidos a plástico. “Tínhamos copos de plástico que podiam ser reciclados e ficámos com copos de papel que não podem ser reciclados”, criticou. Para Natércia Garrido, a sustentabilidade das embalagens só pode ser avaliada através de uma análise completa do ciclo de vida, incluindo impacto ambiental, desempenho funcional e consequências sociais e económicas. UM ECOSSISTEMA QUE PRECISA DE FUNCIONAR EM CONJUNTO A ideia de que a reciclabilidade depende do funcionamento integrado de todo o ecossistema foi igualmente defendida por Pedro Santana, responsável de packaging da Sonae MC. “O problema não está só na embalagem, nem só no sistema, nem só na recolha”, afirmou. “Vai depender sempre de termos embalagens desenhadas para serem o mais recicláveis possível e de existir um sistema de gestão e tratamento.” O responsável considerou que muitas soluções aparentemente sustentáveis acabam por falhar precisamente porque os sistemas de recolha e valorização não acompanham a inovação industrial. Sublinhou ainda que os desafios variam significativamente entre países. O exemplo italiano foi repetidamente referido ao longo do painel como um caso de maior maturidade na recolha de bioresíduos e na integração de bioplásticos nos sistemas de gestão de resíduos. Milena Parmigoni recordou que, em várias cidades italianas, existe recolha porta-a-porta há mais de duas décadas, incluindo resíduos orgânicos e bioplásticos. “É um sistema completo. Eficiente”, resumiu. Natércia Garrido acrescentou que a recolha seletiva de bioresíduos em Itália permitiu reduzir significativamente a contaminação dos plásticos tradicionais, aumentando a quantidade de material efetivamente reciclado. A INOVAÇÃO ACELERA, OS SISTEMAS TENTAM ACOMPANHAR Questionada sobre a capacidade de os sistemas de reciclagem acompanharem o ritmo da inovação, Milena Parmigoni considerou que também a reciclagem está a evoluir rapidamente. “O sistema de reciclagem está a evoluir também”, afirmou, apontando o recurso crescente a inteligência artificial, tecnologias avançadas de triagem, marcadores digitais e reciclagem química. Ainda assim, considera que continua a existir uma lacuna fundamental: a recolha. “O que falta? Recolha, fundamentalmente”, sintetizou. A especialista defendeu igualmente que os próximos anos serão decisivos para reforçar conhecimento técnico dentro da própria cadeia de valor. “O que falta ainda muito é conhecimento”, afirmou. Segundo Milena Parmigoni, será necessário testar continuamente materiais, tintas, colas, etiquetas e combinações de componentes para garantir que as embalagens cumprem efetivamente os critérios de reciclabilidade definidos pelo PPWR. “Testar, testar, testar”, resumiu.

RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx