BP29 - InterPLAST

14 EMBALAGEM A INDÚSTRIA JÁ APLICA RECICLADO E PASSAPORTES DIGITAIS Ao longo do painel, a Silvex apresentou vários exemplos concretos de aplicação de reciclado pós-consumo em novos produtos. Natércia Garrido recordou que a empresa trabalha com reciclagem interna desde os anos 90, mas explicou que a perceção sobre o reciclado mudou profundamente ao longo das últimas décadas. “Usar reciclado era quase fazer um downgrade à qualidade do produto”, lembrou. Com a crescente pressão ambiental, a empresa optou por investir numa unidade própria de reciclagem pós-consumo, recolhendo plástico diretamente das grandes cadeias de distribuição e transformando-o em nova matéria-prima. Entre os exemplos apresentados esteve a produção dos sacos utilizados para recolha de cápsulas da Nespresso, fabricados com material reciclado proveniente da própria operação da empresa. Segundo Natércia Garrido, a nova solução permitiu reduzir em 78% a pegada carbónica face à versão anterior produzida com matéria-prima virgem. A responsável revelou ainda que alguns produtos da Silvex já incorporam passaporte digital, através de QR codes que permitem rastrear o percurso da embalagem, identificar a origem do material reciclado e fornecer informação detalhada ao consumidor. “O passaporte digital vai contar a história do produto”, explicou. CONSUMIDORES VALORIZAM SUSTENTABILIDADE, MAS CONTINUAM SENSÍVEIS AO PREÇO Do lado do retalho, Pedro Santana admitiu que a sustentabilidade já influencia as decisões de compra, embora o preço continue a ser determinante para grande parte dos consumidores. “Há consumidores para quem a sustentabilidade é um fator principal”, reconheceu. “Mas a maioria continua a olhar sobretudo para o preço.” Perante isso, a prioridade passa por encontrar soluções sustentáveis que tenham o menor impacto possível no custo final das embalagens. Pedro Santana defendeu igualmente a necessidade de educar os consumidores e combater o greenwashing. “Temos que ensinar o consumidor a ter sentido crítico quando olha para uma embalagem”, afirmou. PPWR VISTO COMO INEVITÁVEL, MAS EXIGENTE Na reta final do painel, os oradores analisaram os impactos do novo regulamento europeu PPWR. Milena Parmigoni considerou que o regulamento já está a transformar profundamente os processos de desenvolvimento de embalagens. “Não há projeto na Logoplaste que não seja acompanhado, desde o princípio, por uma análise da reciclabilidade”, afirmou. Segundo a especialista, os maiores desafios surgem precisamente quando é necessário equilibrar funcionalidade, desempenho e reciclabilidade. “É aí que entra a inovação”. Pedro Santana admitiu alguma apreensão relativamente aos prazos de implementação, sobretudo para pequenas empresas e fornecedores menos preparados tecnicamente. “2030 está aí”, alertou. Ainda assim, considera que o regulamento acabará por trazer benefícios através da harmonização de regras e da criação de sistemas mais robustos de reciclagem. Já Natércia Garrido mostrou-se mais otimista. “Olho para isto como um ponto de partida. Para a responsável da Silvex, o PPWR representa o início de uma trajetória inevitável, ainda que sujeita a ajustes ao longo do caminho. “Todos estamos obrigados a cumprir os mesmos desígnios”, concluiu. n Durante a Empack 2026, quatro especialistas debateram ‘Os desafios da reciclabilidade das embalagens’. Da esquerda para a direita: Natércia Garrido, responsável pela gestão da qualidade, ambiente e segurança da Silvex, Bruno Pereira da Silva, diretor de Sustentabilidade do Polo de Inovação em Engenharia de Polímeros (PIEP), Milena Parmigoni, especialista em economia circular da Logoplaste Innovation Lab, e Pedro Santana, responsável de packaging da Sonae MC. C M Y CM MY CY CMY K

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