17 EMBALAGEM Na abertura do debate, o moderador Nuno Aguiar, da APIP, sublinhou que o setor está “a menos de três meses da entrada efetiva da aplicação deste novo regulamento de embalagens e resíduos de embalagem”, defendendo que o PPWR “vai criar uma nova era para o setor das embalagens tal qual conhecemos até à data”. O impacto das novas exigências começa logo na conceção das embalagens. Rui Toscano, diretor de Sustentabilidade e Logística do Grupo Polivouga, descreveu o efeito do regulamento como “profundamente impactante desde a estrutura molecular do produto”. Segundo o responsável, o PPWR introduz duas obrigações estruturantes que terão de ser cumpridas em simultâneo: reciclabilidade e incorporação de reciclado. “Todas as embalagens terão que ser recicláveis a partir de 1 de janeiro de 2030”, recordou, acrescentando que as embalagens que não atingirem determinados níveis de reciclabilidade poderão ser excluídas do mercado. Na prática, explicou, isso está já a obrigar a indústria a abandonar estruturas multicamada tradicionais e a migrar para soluções monomaterial, sobretudo em aplicações alimentares, onde as exigências técnicas continuam elevadas. “A opção técnica foi migrar para estruturas monomaterial, estamos a falar do full PE, do full PP”, afirmou. Ainda assim, Rui Toscano alertou que a substituição não é simples. As estruturas multicamada continuam a desempenhar funções essenciais de barreira ao oxigénio, humidade e odor, além de garantirem propriedades mecânicas necessárias à conservação dos produtos. Também Bruno Pereira da Silva, diretor de Sustentabilidade do Polo de Inovação em Engenharia de Polímeros (PIEP), considerou que o principal desafio não está nos objetivos do regulamento, mas sim “na sua concretização em contexto industrial”. O responsável identificou quatro grandes desafios: a reciclabilidade efetiva das embalagens, a substituição de materiais sem comprometer a função, a incorporação de reciclado em aplicações sensíveis — como alimentar, médica e farmacêutica — e a falta de métricas harmonizadas. “A embalagem por si só não é um invólucro”, sublinhou. “Ela garante segurança, ‘shelf life’ e qualidade.” Sem essa proteção, acrescentou, o desperdício alimentar poderia aumentar significativamente, com um impacto ambiental ainda maior. Bruno Pereira da Silva defendeu ainda um papel mais próximo do sistema científico e tecnológico das empresas, nomeadamente através do desenvolvimento de novos materiais, testes laboratoriais, avaliação de ciclo de vida e projetos-piloto. “O sucesso do PPWR vai depender menos da tecnologia em si e mais da capacidade de ligarmos ciência, inovação, indústria e regulação de forma eficaz”, afirmou. RECICLAGEM: CAPACIDADE EXISTE, RESÍDUOS CONTINUAM A FALTAR Ao longo do debate, uma das ideias mais repetidas foi a de que Portugal dispõe de capacidade industrial de reciclagem, mas continua sem recolher resíduos suficientes para alimentar essa capacidade. A mesa-redonda ‘PPWR: a nova era das embalagens | Estará a cadeia de valor preparada?’, promovida pela APIP, contou com a participação de Nuno Aguiar, diretor técnico da APIP, Bruno Pereira da Silva, diretor de Sustentabilidade do Polo de Inovação em Engenharia de Polímeros (PIEP), Elsa Agante, team leader de Energia e Sustentabilidade da DECO PROteste, Pedro Simões, diretor-geral da Novo Verde, Ricardo Pereira, CEO da Sirplaste, e Rui Toscano, diretor de Sustentabilidade e Logística do Grupo Polivouga.
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