BP29 - InterPLAST

18 EMBALAGEM Ricardo Pereira, CEO da Sirplaste, afirmou mesmo que as empresas portuguesas de reciclagem “estão no topo” em termos tecnológicos. “Temos das melhores empresas de reciclagem do mundo em Portugal”, garantiu. O problema, acrescentou, é outro: “Todas elas importam matéria-prima para reciclar, porque não temos matéria-prima suficiente em Portugal.” Segundo o responsável, existe atualmente excesso de capacidade instalada face à quantidade de resíduos recolhidos. “As nossas empresas poderiam crescer muito mais, mas não temos matéria-prima suficiente”, alertou. Apesar disso, Ricardo Pereira considera que a qualidade dos resíduos recolhidos em Portugal é positiva quando comparada com outros países europeus. Ainda assim, insiste que a maior intervenção deve acontecer na origem. “A embalagem tem que ser desenhada e pensada para ser reciclada e essa é a maior ajuda que nos poderiam dar”, afirmou. O CEO da Sirplaste deixou vários exemplos de embalagens que continuam a dificultar os processos de reciclagem, desde materiais incompatíveis até pequenos componentes que contaminam os fluxos de reciclagem. Também Pedro Simões, diretor-geral da Novo Verde, apontou a recolha como um dos principais estrangulamentos do sistema atual. “O potencial está na recolha”, defendeu. Recordou também que Portugal investiu fortemente em infraestruturas de tratamento nas últimas décadas, mas que o sistema tarifário e os modelos de recolha pouco evoluíram desde então. “Nós continuamos a pagar os nossos resíduos em função da água que consumimos”, criticou. Pedro Simões defendeu ainda uma maior aposta em sistemas de recolha próprios e complementares, associados a incentivos diretos ao consumidor. “As pessoas têm que sentir efetivamente que têm um benefício em entregar os seus resíduos”, afirmou. CONSUMIDORES DISPONÍVEIS, MAS SENSÍVEIS AO PREÇO Do lado dos consumidores, Elsa Agante, team leader de Energia e Sustentabilidade da DECO PROteste, reconheceu que o sucesso do novo regulamento dependerá inevitavelmente da participação dos cidadãos. A responsável destacou o novo sistema de depósito e reembolso para embalagens de bebidas como uma ferramenta potencialmente eficaz para aumentar as taxas de recolha. “Conceptualmente, é um dos sistemas mais eficazes para aumentar as taxas de recolha”, afirmou, apontando exemplos como Alemanha, países nórdicos e Irlanda. Ainda assim, alertou para vários fatores críticos, sobretudo ao nível da conveniência. “Se não for simples, se for encarado como mais uma tarefa, dificilmente será bem aceite”, afirmou. A DECO PROteste considera igualmente fundamental garantir uma boa cobertura geográfica, evitar falhas nas máquinas de devolução e encontrar um equilíbrio adequado para o valor do depósito. “O valor do depósito também não pode ser tão baixo que não valha a pena estar a depositar”, observou. Questionada sobre a disponibilidade dos consumidores para pagar mais por produtos sustentáveis, Elsa Agante admitiu existir uma diferença entre intenção e comportamento real. “Existe um gap entre aquilo que as pessoas dizem que estão dispostas a fazer e aquilo que realmente fazem”, afirmou. Segundo a responsável, o preço continua a ser o principal fator de decisão na compra, embora os consumidores demonstrem crescente preocupação com a sustentabilidade e maior atenção aos rótulos ambientais. “Havendo uma garantia que não é greenwashing e que faz algum sentido, podem pagar um pouco mais”, reconheceu. O COMBATE AO GREENWASHING E O PASSAPORTE DIGITAL A credibilidade da informação ambiental foi outro dos temas centrais do debate. Bruno Pereira da Silva defendeu que o combate ao greenwashing exige certificação, rastreabilidade e metodologias harmonizadas. Neste contexto, destacou o papel das certificações ambientais, das avaliações de ciclo de vida e das declarações

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