BP30 - InterPLAST

25 EVENTO Já José Carlos Caldeira, do INESC TEC, colocou a questão de outra forma. Um ecossistema só funciona quando existe um objetivo comum capaz de mobilizar os seus participantes. Depois são necessários estratégia, plano de ação, recursos humanos e financeiros e, sobretudo, resultados. No caso dos materiais, deu um exemplo que toca diretamente a indústria dos plásticos. Os requisitos associados à circularidade e ao conceito europeu ‘safe and sustainable by design’ obrigam hoje a pensar no material ao longo de todo o seu ciclo de vida, envolvendo quem o desenvolve, quem o transforma, quem utiliza o produto e quem o recicla. O ecossistema torna-se, assim, maior e mais complexo. E também mais próximo da realidade industrial. Por seu lado, António Cunha, da Universidade do Minho, reforçou a centralidade das empresas. Num ecossistema de inovação, explicou, é no tecido empresarial que o conhecimento se transforma em valor económico. Cabe às empresas identificar e especificar os problemas que precisam de resolver, estabelecendo uma ligação mais concreta com as estruturas de I&D. Esta relação exige também confiança entre os diferentes atores. E exige tempo. O problema é que a velocidade tecnológica está a diminuir esse tempo disponível. DA COMPETÊNCIA À CAPACIDADE DE EXECUÇÃO O Innovation Forum deixou uma conclusão transversal aos diferentes debates: Portugal não parte do zero. Para Cláudia Cristovão, diretora-geral do PIEP, o país "possui hoje um ecossistema de inovação de excelência, combinando empresas exportadoras, universidades de excelência, centros de tecnologia e inovação e capacidade industrial. O desafio passa agora por transformar este potencial em maior competitividade, mais investimento e mais valor para a economia nacional.” No automóvel, isso significa responder à pressão competitiva através de produtividade, automação, digitalização, inteligência artificial e desenvolvimento de produtos de maior valor acrescentado. Na defesa, significa identificar nichos, acelerar ciclos de inovação, integrar cadeias de valor internacionais e aproveitar competências que já existem no país. E, em ambos os casos, significa trabalhar melhor enquanto ecossistema. A própria mensagem de abertura do PIEP apontou nessa direção. Nuno Guimarães defendeu que a inovação já não pode ser encarada apenas como fator de diferenciação, mas como uma condição para produtividade, emprego qualificado, sustentabilidade e desenvolvimento económico. A defesa poderá abrir novas portas à indústria portuguesa. O automóvel continuará a exigir capacidade para se reinventar. Entre ambos está uma competência que Portugal terá de saber valorizar: a capacidade de transformar conhecimento em tecnologia industrial, e tecnologia industrial em produtos capazes de competir no exterior. É nesse ponto que inovação deixa de ser apenas investigação. Passa a ser capacidade de execução. n O último painel do dia, dedicado ao tema ‘Ecossistemas de Inovação para uma Economia mais Competitiva’, foi moderado por António Vicente, da Universidade do Minho, e contou com as intervenções de Marlos Silva (MC/Sonae), João Ricardo Moreira (NOS), José Carlos Caldeira (INESC-TEC), e António Cunha (Universidade do Minho). Cláudia Cristovão lembrou que “Portugal possui hoje um ecossistema de inovação de excelência”.

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