BP30 - InterPLAST

24 EVENTO Carlos Mota, da Beyond Composite, trouxe para o debate a perspetiva de uma empresa que nasceu de uma spin-off da Universidade do Minho e que trabalha com materiais compósitos. O responsável identificou no programa SAFE uma oportunidade para as empresas portuguesas entrarem nas cadeias de valor dos grandes OEM da defesa. Deu como exemplo as proteções balísticas leves desenvolvidas pela empresa. A evolução dos conflitos e a necessidade de veículos mais móveis estão a criar novas exigências, mas convencer fabricantes tradicionalmente ligados aos metais a adotar materiais compósitos implica demonstrar a sua eficácia. E essa demonstração, explicou, depende também da integração no ecossistema onde estão os grandes fabricantes e decisores. A defesa apresenta, contudo, uma característica que a distingue de muitas outras áreas industriais: a velocidade a que a tecnologia pode mudar. Pedro Petiz, da Tekever, colocou a velocidade no centro do debate. A evolução dos conflitos, particularmente na Ucrânia, mostrou que a tecnologia pode mudar ao mesmo ritmo que as necessidades operacionais, tornando demasiado lentos os tradicionais ciclos de desenvolvimento e aquisição. “Na defesa, nós não podemos ter um gap de oito anos entre o projeto e o produto final. Nessa altura, a guerra já acabou, a tecnologia já mudou.” Para o responsável, é preciso testar, adaptar e desenvolver de forma mais ágil, em vez de procurar desde o início o produto perfeito. Portugal dispõe, segundo Petiz, de vários dos ingredientes necessários ‒ talento, acesso a capital e a clientes e competências industriais. Falta, em parte, transformar esses recursos em ação. “Podemos passar muitas horas a discutir como é que os ecossistemas funcionam, mas isso não substitui a tomada da decisão de ir a jogo.” Essa capacidade de avançar, agregando competências em torno de áreas onde o país já possui conhecimento, será determinante para aproveitar a oportunidade aberta pela defesa. Esta lógica é relevante também para a indústria de plásticos e compósitos, onde materiais capazes de combinar baixo peso, resistência mecânica, proteção, durabilidade ou funcionalidades específicas podem encontrar novas aplicações em veículos, aeronaves, sistemas autónomos ou equipamentos militares. Mas será a capacidade de desenvolver, testar e industrializar rapidamente que determinará a possibilidade de transformar investigação em negócio. Entre essas áreas apontou os materiais avançados, que poderão ter um papel diferenciador nos equipamentos que serão desenvolvidos nos próximos anos. Alertou, no entanto para a importância de, “desde a fase da investigação, ter em mente a componente de internacionalização”, já que o mercado nacional de defesa não terá dimensão suficiente para sustentar sozinho modelos de negócio robustos. As empresas terão de nascer ou crescer já com uma ambição internacional. O ECOSSISTEMA COMO INFRAESTRUTURA DE COMPETITIVIDADE Se os painéis sobre automóvel e defesa mostraram onde estão as pressões e as oportunidades, o debate sobre os ecossistemas de inovação ajudou a explicar o que é necessário para responder a ambas. Na sua intervenção, Marlos Silva, da MC/Sonae, defendeu que a relação entre empresas e entidades de conhecimento deve ser mais permeável e menos baseada numa lógica convencional de transferência de tecnologia. “A tecnologia e o conhecimento, não se transferem, partilham-se”, disse. O responsável defende, assim, a co-inovação e o co-desenvolvimento. Na sua opinião, empresas, academia, centros tecnológicos e outros parceiros devem trabalhar conjuntamente na resolução de problemas concretos. João Ricardo Moreira, da NOS, acrescentou duas condições: diálogo franco e alinhamento de incentivos. Não basta reunir os diferentes atores algumas vezes por ano. É necessário manter uma relação continuada e perceber o que cada interveniente procura. O diagnóstico que apresentou é particularmente relevante para a indústria portuguesa: o país possui conhecimento, infraestruturas, talento e capacidade produtiva, mas nem sempre consegue transformar esses ativos em aplicações e negócios com escala internacional. Pedro Petiz, da Tekever, Carlos Mota, da Beyond Composite, Raul Lourenço do AED Cluster, e Ana Reis, da IdD Portugal Defence, debateram as oportunidades e especificidades da indústria da defesa. O painel foi moderado por Carlos Ribeiro, do PIEP.

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