36 AUTOMÓVEL combinação entre materiais podem passar a ser definidos também em função daquilo que acontecerá ao componente no fim da sua vida útil. A MÁQUINA DEIXA DE TRABALHAR SOZINHA A transformação dos produtos está também a mudar a forma como são produzidos. Na Arburg, a máquina de injeção deixa de ser encarada como um equipamento isolado e passa a integrar um sistema de produção em que diferentes equipamentos e dados são articulados para acompanhar e controlar o processo. O sistema MES ALS permite recolher e analisar dados de produção, reforçando a transparência e a rastreabilidade. Esta capacidade ganha importância à medida que os materiais apresentam maior variabilidade e os componentes se tornam mais complexos. O Centimfe identifica uma evolução semelhante, com a crescente utilização de tecnologias de monitorização e simulação para aproximar o desenvolvimento do processo produtivo. A combinação destas ferramentas permite encurtar os ciclos de desenvolvimento, apoiando etapas como a prototipagem, os ensaios e a validação antes da produção em escala industrial. OEM QUEREM MAIS DESEMPENHO A CUSTOS MAIS COMPETITIVOS Segundo Júlio Grilo, os OEM estão a exigir componentes com níveis crescentes de desempenho, qualidade e fiabilidade, mantendo, ao mesmo tempo, uma forte pressão sobre os custos. Esta exigência reflete-se em cadernos de encargos, fichas técnicas e planos de validação cada vez mais completos e numa análise mais abrangente da cadeia de fornecimento. Para além da capacidade industrial e da eficiência dos processos, os construtores estão também a considerar fatores como a localização da produção, a resiliência logística, a inovação e a gestão do risco. A sustentabilidade começa igualmente a pesar nesta avaliação, sobretudo através da pegada carbónica e de outros indicadores ambientais. Ainda assim, o preço continua a ter um peso determinante. “Atualmente, o preço permanece o principal fator de decisão”, sublinha a Simoldes. Para os fornecedores, esta evolução traduz-se na necessidade de adaptar materiais, equipamentos, processos e competências, incluindo uma maior aposta na digitalização. Tudo isto acontece num contexto de forte pressão sobre os custos e de transformação da própria indústria automóvel europeia. A indústria portuguesa de componentes, fortemente orientada para a exportação e integrada nas cadeias de fornecimento dos fabricantes europeus, enfrenta também os efeitos da redução da produção automóvel na Europa, da concorrência internacional e da instabilidade das cadeias de fornecimento. Para José Couto, presidente da Associação de Fabricantes para a José Couto, presidente da AFIA.
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