35 AUTOMÓVEL Na Simoldes, a experiência com reciclados não é recente. A empresa utiliza diferentes níveis de incorporação, desde materiais com 100% de conteúdo reciclado até soluções com taxas de 20% a 30%, abrangendo várias famílias de polímeros. Atualmente, cerca de 9% do volume de produção da empresa é processado com materiais reciclados e, segundo Júlio Grilo, Headquarters Research and Innovation manager da Simoldes, não existem problemas de qualidade ou quantidade para responder aos projetos atuais. “À medida que a procura aumentar e a regulamentação impulsionar uma utilização mais generalizada destes materiais, este poderá tornar-se um dos principais desafios da cadeia de valor”, alerta. Entre as preocupações estão uma eventual escassez de determinadas matérias-primas recicladas e a possível degradação das suas propriedades mecânicas, térmicas e funcionais. Existe ainda uma pergunta para a qual, segundo a Simoldes, não há uma resposta universal: quantos ciclos de reciclagem consegue suportar um polímero antes de perder propriedades de forma significativa? A resposta vai depender do tipo de material, da aplicação e do processo de reciclagem. A Arburg identifica outro problema: a variabilidade. Os reciclados podem apresentar características diferentes das matérias-primas virgens e obrigam a um controlo mais apertado do processo de injeção. É por isso que a empresa tem desenvolvido ferramentas de controlo adaptativo. O RecyclatePilot ajusta automaticamente parâmetros de injeção quando deteta variações na densidade da peça, procurando manter constante o peso de injeção. O ReferencePilot ajusta a pressão interna do molde durante a pós-pressão para manter condições de processo estáveis. CIRCULARIDADE COMEÇA ANTES DO MOLDE Durante décadas, a conceção de componentes automóveis privilegiou sobretudo o desempenho, a segurança, o custo, a estética e a processabilidade. Agora, outras questões entram no processo de desenvolvimento: como desmontar a peça, se pode ser reparada, se é possível separar os diferentes materiais e se existe uma cadeia capaz de os reciclar. Está também em causa perceber se o material recuperado pode regressar a uma aplicação de valor semelhante. É esta a lógica do 'design for circularity' defendida pelo PIEP. “Uma das alterações mais significativas é a aproximação entre o desenvolvimento do produto e o seu fim de vida”, explica Cláudia Cristóvão. A questão é especialmente relevante para os plásticos, uma vez que um veículo pode reunir diferentes polímeros, cargas, aditivos, revestimentos, adesivos, espumas e reforços. Uma solução que funcione perfeitamente durante a utilização pode revelar-se difícil ou dispendiosa de desmontar e reciclar. A Simoldes considera que o 'design for circularity' ainda está relativamente pouco desenvolvido no setor automóvel. Sem alterações nas especificações dos fabricantes de equipamento original (OEM), desmontar e separar componentes pode continuar a ser economicamente inviável devido ao tempo, custo e complexidade envolvidos. A rastreabilidade ganha, desta forma, uma importância crescente. Os OEM devem exigir informação mais completa sobre a composição, origem, conteúdo reciclado e desempenho ambiental dos materiais, aproximando a cadeia automóvel da lógica do passaporte digital dos componentes. A nova regulamentação introduz, assim, exigências adicionais nesta fase de desenvolvimento. Ao estabelecer metas de incorporação de material reciclado e ao reforçar requisitos de desmontagem, recuperação e rastreabilidade, cria pressão para que o fim de vida passe a ser considerado desde a fase de conceção. Para os transformadores, isso significa que a escolha do polímero, a geometria, os sistemas de união e a 16382_anuncio_interplast_210x68.pdf 1 28/01/22 10:25
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