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Indústria automóvel: reta final de 2020 turbulenta, mas otimista

Sigrid de Vries, secretária-geral da CLEPA (associação europeia de fornecedores da indústria automóvel)

20/11/2020

2020 tem sido incrivelmente desafiante para o mundo, e as semanas que faltam para o ano terminar não vão ser diferentes. O resultado das eleições nos EUA, o cenário de ‘ponta do penhasco’ colocado por um Brexit sem regras, a segunda vaga de infeções de Covid-19 e as consequentes restrições à atividade económica, para não falar dos novos ataques fundamentalistas aos valores humanos e democráticos: todos estes fatores exigem uma liderança forte e orientações claras para reforçar a resiliência da nossa sociedade.

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Espera-se que as relações entre a Europa e os EUA melhorem com a tomada de posse do Presidente eleito Joe Biden em 2021, mas Donald Trump ainda tem vários dias para causar tensão na cena internacional, quer pelas suas próprias ações, quer por outras pessoas que se aproveitem da situação para proveito próprio. Isto pode contribuir para uma maior incerteza nas perspetivas económicas globais.

Entretanto, as empresas tentarão perceber as intenções do futuro Presidente nas áreas do comércio global e da política climática. O regresso dos EUA ao Acordo de Paris sobre o clima seria bem-vindo, mas, tal como para a UE, a questão estará em como alcançar as metas. Para tal, será crucial a abertura tecnológica e políticas coerentes que aumentem a eficiência energética em todos os setores.

Brexit expõe 90% dos fornecedores da indústria automóvel a riscos

As conversações entre a UE e o Reino Unido para assegurar uma saída ordeira até ao final do ano estão em fase final, e o tempo já se esgotou para assegurar a melhor solução. A indústria automóvel, fortemente integrada de ambos os lados do canal, continua a defender medidas de transição que permitam a todos os interessados implementar um acordo de última hora, e que sejam estabelecidos requisitos de conteúdo local realistas para assegurar que o comércio entre a UE e o Reino Unido não seja afetado por taxas desnecessárias.

O mais recente barómetro comercial da CLEPA mostra que 90% dos fornecedores do setor automóvel estão expostos a riscos decorrentes do Brexit. No entanto, por não se saber exatamente o que vai acontecer, apenas 50% das empresas têm em vigor planos detalhados de mitigação de riscos. Os elevados custos decorrentes do processamento aduaneiro são vistos como a maior dor de cabeça.

A Covid-19 está, por um lado, a acelerar a necessária transformação ecológica e digital da nossa sociedade, e, por outo, a acrescentar um elevado stress económico. Também neste aspeto, é essencial uma resposta política eficaz e coordenada: uma resposta que garanta a saúde pública e minimize o impacto na economia a longo prazo. No entanto, as medidas irão mais uma vez deprimir o sentimento económico e do consumidor em geral.

As fronteiras, fábricas e concessionários devem permanecer abertas

Como podem as autoridades públicas ajudar as empresas a manter os seus empregados e assegurar a contribuição económica que a indústria fornece à sociedade?

Nos últimos meses, muitas empresas têm vindo a afetar recursos para garantir a segurança dos seus trabalhadores, de acordo com as diretrizes de saúde pública. É por isso que pedimos às autoridades públicas que evitem o mais possível o encerramento de fábricas.

Os Estados-Membros da UE devem também manter o intercâmbio central de informações sobre medidas fronteiriças definidas pela Comissão, para permitir a continuidade do fluxo de mercadorias, mas também as deslocações transfronteiriças e as viagens necessárias. A cadeia de abastecimento automóvel é altamente integrada. Às vezes, basta que uma única peça não possa passar a fronteira para que a produção pare durante semanas.

Para evitar outra queda devastadora da procura, todos os concessionários e oficinas de automóveis devem também permanecer abertos tanto quanto possível. Desta forma, garante-se que os serviços públicos e os consumidores possam ter acesso aos serviços de reparação e manutenção, conforme necessário.

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Fonte: CLEPA.

51% dos fornecedores esperam que as suas receitas continuem a diminuir durante os próximos 12 meses

O impacto da crise de Covid-19 na indústria automóvel já é grave. Desde março, foi anunciada uma perda de mais de 100 mil postos de trabalho, metade dos quais em fornecedores.

Neste contexto, o Pacto de Competências lançado pela Comissão Europeia é uma ação oportuna, com potencial para ter um real impacto na recuperação económica, bem como na gestão da dupla transição para a mobilidade digital e verde. O setor automóvel é um dos três primeiros setores a participar no Pacto, e a CLEPA tem vindo a contribuir ativamente desde a sua conceção.

Para obter uma compreensão mais profunda do sentimento empresarial na nossa indústria, conduzimos regularmente o ‘CLEPA Pulse Check’ com o apoio da McKinsey. A última edição mostra que 51% dos fornecedores esperam que as suas receitas continuem a diminuir ao longo dos próximos 12 meses.

Por outro lado, 73% dos fornecedores preveem voltar aos resultados positivos em 2021, graças à recuperação do mercado e às medidas drásticas de contenção de custos implementadas que, entretanto, começarão a dar frutos. No entanto, a pressão sobre o emprego e a capacidade de investimento continua a ser considerável, enquanto a reestruturação da indústria continua a desempenhar um papel significativo. Numa fase de recuperação, é expectável que continuemos a assistir à redução das instalações de I&D e de produção.

Um outro resultado importante do inquérito: Mais de 60% dos fornecedores do setor automóvel estão a acelerar a mudança na sua carteira de produtos para moldar a transformação automóvel, impulsionar a mudança para uma mobilidade verde e digital, e aproveitar ao máximo as muitas oportunidades ao mesmo tempo que gerem os muitos desafios.

A UE deve aproveitar todos os instrumentos à sua disposição para apoiar a investigação e a inovação

A CLEPA sublinha a necessidade de um debate honesto e aberto sobre os efeitos das decisões políticas na indústria. A questão-chave permanece não ‘se’, mas ‘como’ alcançar os muitos objetivos societais, assegurando a inovação, o fabrico e o emprego na Europa, ‘bem como’ os objetivos climáticos e digitais. Também aqui, as cadeias de abastecimento internacionais e a cooperação são essenciais.

Considerando todas as pressões que vivemos neste último trecho de 2020, com o Brexit à porta, a forte pressão sobre a globalização, uma China forte e assertiva e uma crise sanitária que ainda está para ficar, estamos otimistas?

Temos de estar. A Europa é o lar da competência tecnológica avançada, de uma mão-de-obra qualificada e de uma base industrial estratégica de alto valor. A indústria automóvel é crucial para o tecido económico europeu. O sector é vasto, inovador, com longas cadeias de valor e ecossistemas fortes.

Para sustentar a competitividade a longo prazo da Europa, a UE deve potenciar todos os instrumentos à sua disposição para apoiar a investigação e a inovação. Isto inclui os orçamentos da UE para o programa Horizon Europe, os contratos públicos e os instrumentos de financiamento do Banco Europeu de Investimento. Comércio baseado em regras, ‘high-standards’ e um foco na inovação não são frases ocas. Não podem ser.

Este é um momento crucial para discutir estratégias viradas para o futuro relacionadas com a sociedade, mobilidade e indústria. E convidamos todos a tomar parte ativa nesta discussão.

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