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O equipamento também é a ‘alma do negócio’: porque deve medir o desempenho operacional das suas máquinas

Beatriz Ribeiro, consultora, e Regina Paiva, consultora trainee em Gestão e Engenharia Industrial no INEGI.

16/06/2022
Trabalhar com a máxima eficiência possível é uma das apostas mais seguras para uma empresa aumentar a sua competitividade. Quando falamos da gestão da produção, a eficiência está ligada a uma importante métrica – muitas vezes descurada! – que permite identificar perdas, avaliar o progresso e melhorar a produtividade dos equipamentos: o desempenho operacional de um equipamento (OEE).

Conhecido em inglês como Overall Equipment Effectiveness (OEE), este é um indicador de performance (KPI) que indica o desempenho operacional geral de uma máquina, equipamento, linha de produção, ou fábrica. Por outras palavras, indica a percentagem do tempo de produção em que se é totalmente produtivo, sendo afetado negativamente pelas ocorrências que não acrescentam valor.

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Indicador avalia três fatores – disponibilidade, desempenho e qualidade

A disponibilidade é a relação entre o tempo real em que o equipamento esteve a trabalhar e o tempo total disponível para utilização. Este tempo de paragem pode ser classificado como planeado (p.e. programas de manutenção e hora de almoço), ou não planeado (p.e. falta de matéria prima e falha na máquina).

De uma forma geral, o tempo de inutilização, quer planeado e não planeado pode ser reduzido ao reduzir o tempo médio de reparação – Mean Time To Repair (MTTR) e ao aumentar o tempo entre falhas – Mean Time Between Failures (MTBF), respetivamente.

Já a performance é a proporção entre o tempo teórico e real para fabricar uma determinada quantidade de peças. Ou seja, é um parâmetro de medição entre o tempo real de produção e o tempo de produção a uma velocidade padrão. Consequentemente, falhas de performance referem-se a quando a máquina trabalha abaixo da velocidade ou do ritmo máximo.

A correta medição da performance, obtida mantendo o rigor nos registos de produção e de disponibilidade, influencia outros cálculos, nomeadamente o do custo do produto, da ocupação da fábrica (carga da máquina), entre outros.

A qualidade é a relação entre o tempo de produção do número real de peças que respeitam os critérios de qualidade, e o tempo de produção do número total de produtos fabricados nesse mesmo intervalo temporal, que deverá corresponder ao tempo totalmente produtivo.

O desempenho operacional de um equipamento é expresso através de uma percentagem de 0 a 100, em que 100% equivale à utilização da total capacidade do equipamento, isto é, o desempenho operacional máximo.

Quanto mais elevada for a percentagem de OEE, menos paragens houve (disponibilidade), mais se produziu (desempenho), e com maior número de peças conformes (qualidade). Por ser extremamente difícil de atingir o OEE de 100%, a média industrial ronda os 60%, enquanto 85% é considerado um OEE de classe mundial.

Se precisa de mais razões para não descurar esta análise, saiba que há exemplos comprovados que uma melhoria de 10% no desempenho operacional de um equipamento, leva a um aumento de até 30% da produtividade.

Existem várias formas de melhorar este indicador, sendo que uma das principais é a disponibilização da informação, preferencialmente em tempo real. Um placard com a indicação do objetivo, da quantidade em falta para o atingir, e uma referência à percentagem de eficiência, por exemplo, permitiria à equipa perceber o ponto de situação da produção e agir em conformidade. Esta e outras técnicas semelhantes são uma forma de Gestão Visual em chão de fábrica. Reuniões de equipa, com uma frequência diária ou mesmo por cada turno, são também estratégias para fomentar a interação com a equipa e proporcionar espaço para propostas de ações de melhoria.

Há ainda outras práticas recomendadas, normalmente mais ligadas ao tema da disponibilidade. Entre elas, o Single Minute Exchange of Dies (SMED – muito útil na redução de tempos de setup), os 5S (com claras vantagens na organização e limpeza e atualmente já se fala nos 6S de modo a considerar a segurança) e manutenção autónoma (tendo benefícios através da responsabilização do operador pelo equipamento, para além do processo produtivo que lhe está a cargo).

Melhoria do desempenho em 10% pode levar a aumento de 30% da produtividade

Projetos de melhoria ficam muitas vezes na «gaveta», por desconhecimento do lucro que essa ação proporcionaria à empresa. Mas só quando conhecemos a fundo desempenho dos equipamentos da fábrica, nos é possível traçar um caminho para melhorar o seu desempenho, e assim aumentar a eficiência e rendimento da produção2. Ora vejamos as conclusões que podemos retirar desta avaliação:

Desempenho de uma fábrica na sua totalidade

A primeira medida de OEE pode ser comparada com valores futuros, permitindo uma atualização dos dados, definição de responsabilidades e objetivos, estabelecer metas de produção e, sobretudo, motivar equipas para alcançar os resultados esperados.

Avaliação de uma linha de produção/máquina e identificação da causa de problemas

Pode ser usado para comparar o desempenho da linha em toda a fábrica ou da máquina com pior desempenho.

Eficácia dos equipamentos e/ou linha de produção

Após o conhecimento de onde se poderá melhorar o desempenho operacional, permite indicar onde concentrar os esforços. O objetivo é atingir maiores volumes com bons resultados e, simultaneamente, reduzir os custos de produção praticados.

Por último, apesar deste indicador ser normalmente visto como uma ferramenta que fornece dados para a decisão estratégica, é também cada vez mais utilizado para o conhecimento e interligação dos managers ao chão de fábrica. Permite:

  • Ter acesso à capacidade real da fábrica na resposta à procura, decidir se se deve comprar ou trocar uma determinada máquina, se deve ampliar/reduzir a fábrica ou linhas de produção, bem como a necessidade de aumentar/reduzir o número de turnos.
  • Conhecer a real utilização dos equipamentos e onde aplicar recursos de maneira eficaz, maximizando o lucro no processo de planeamento e orçamento.

Há fatores, como a idade dos equipamentos, que condicionam a percentagem do OEE e, consequentemente, podem fazer com que a meta do OEE varie entre processos. Neste caso, poderá combinar o OEE com outras métricas para obter uma visão mais alargada da produção.

Muitos são os proveitos que este indicador traz a uma empresa. Contudo, sem a conexão dos objetivos dos gestores às operações do chão de fábrica, este indicador não será capaz de gerar valor. E neste sentido, é necessário avaliar o desempenho operacional atual, identificar perdas, definir prioridades, estabelecer um foco comum e tomar as ações necessárias, com o envolvimento de todos os colaboradores.

Referências

1 Relkar, A.S.& Nandurkar, K.N. (2012). Optimizing & Analysing Overall Equipment Effectiveness (OEE) through Design of Experiments (DOE). Volume 38. Science Direct. Elsevier. [Consultado a 09/02/2021]. Disponível:sciencedirect.com/science/article/pii/S1877705812022606

2 Singh, R.; Shah, D.B.; Gohil, A.M & Shah, M.H. (2013). Overall Equipment Effectiveness (OEE) Calculation–Automation through Hardware & Software Development. Volume 51. Science Direct. Elsevier. [Consultado a 09/02/2021]. Disponível:sciencedirect.com/science/article/pii/S1877705813000830

Innovation Operation Excellence. (2019). Understanding overall equipment effectiveness (OEE).IntechOpen Limited. [Consultado a 08/02/2021]. Disponível em: http://www.ioeexcellence.com/oee/

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