Informação profissional para a indústria de plásticos portuguesa
“As máquinas de injeção totalmente elétricas são o futuro"

Entrevista com Gerd Liebig, diretor geral da Sumitomo (SHI) Demag Plastics Machinery GmbH

Tal como aconteceu em edições anteriores da feira K, nos meses que antecedem o maior evento da indústria internacional de plásticos a associação de máquinas para plásticos e borracha VDMA leva a cabo uma série de entrevistas semanais com empresas representativas do setor. Nesta edição reproduzimos uma delas, realizada a Gerd Liebig, diretor geral da Sumitomo (SHI) Demag Plastics Machinery GmbH, que, entre outros, aborda o tema da sustentabilidade dos plásticos.

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Gerd Liebig, diretor geral da Sumitomo (SHI) Demag Plastics Machinery GmbH.

A sua empresa faz parte do grupo japonês Sumitomo. No Japão, a base legal para a economia circular já existe desde 2000. Qual é atualmente a posição daquele país neste aspeto?

A diferença fundamental entre o Japão e a Alemanha é que o Japão é uma ilha, pelo que tudo é regulado de forma autónoma: incentivos, separação de resíduos e reciclagem. Além disso, o Japão pode contar com um elevado nível de disciplina do consumidor. Para o Japão, o mar e a pesca são muito importantes, e a população é muito sensível à questão da poluição marinha. Por esta razão, o apoio à economia circular é mais forte do que em muitos países europeus. Na Europa, as políticas centram-se nas proibições, mas não têm em conta que a pegada de carbono aumenta quando, em diversas aplicações, optamos por não utilizar o plástico. Por exemplo, o papel altamente revestido como material composto não é separável. Não seria uma alternativa viável. O mesmo se aplica ao vidro, que consome mais energia do que o plástico, tanto na produção como no transporte em longas distâncias.

E até que ponto existe uma partilha de valores entre a Sumitomo (SHI) Demag e a empresa-mãe sobre sustentabilidade a nível corporativo?

A neutralidade climática desempenha um papel fundamental dentro do Grupo Sumitomo, e os diretores gerais de todas as empresas associadas devem realizar esforços em prol da sustentabilidade e neutralidade climática. A forma mais importante de o conseguir é o nosso compromisso com as máquinas totalmente elétricas, que representam uma poupança significativa de emissões de CO2. Há dez anos atrás, 20% das nossas máquinas eram totalmente elétricas; hoje são mais de 80%.

É um caminho que tem de continuar a ser feito…

Sim, as questões da sustentabilidade e da neutralidade climática chegaram agora também ao setor do consumo. Por isso, espero ver um aumento na procura de máquinas totalmente elétricas nesta área. Há cinco anos atrás, convertemos um dos nossos dois centros na Alemanha em máquinas totalmente elétricas. Embora na altura tenha sido muito difícil implementar esta mudança - afinal, fomos obrigados a prescindir de um volume de encomendas de 20% - a nossa decisão revelou-se muito clarividente. A nossa expectativa de que os mercados avançariam para a sustentabilidade e poupança de energia provou ser verdadeira. Como resultado da nossa decisão inicial, temos agora uma enorme vantagem competitiva.

A pandemia de Covid-19 tornou o público mais consciente dos benefícios do plástico?

Não, pelo menos ainda não na Europa. Na China, por exemplo, o foco da utilização do plástico está na higiene que proporcionam. Contudo, existem também sinais positivos na Europa, tais como a decisão do McDonalds de substituir as embalagens descartáveis de cartão, até agora comuns, por embalagens de plástico de longa duração integradas num sistema de depósito em alguns restaurantes-piloto. Se os consumidores mudarem o seu comportamento e estiverem também dispostos a gastar mais dinheiro, isto pode significar um grande sucesso na reutilização do plástico, tanto no sistema de depósito como na reciclagem.

Quais são as opções para reduzir o consumo de material?

Os preços dos polímeros subiram acentuadamente no último ano. As peças de plástico fabricadas estão a tornar-se cada vez mais caras, uma vez que o material tem uma forte influência no preço. A nossa ambição é reduzir a utilização de material, melhorando o processo e permitindo que os nossos clientes produzam peças de paredes mais finas com as nossas soluções. A este respeito, são concebíveis várias abordagens tanto nas tecnologias de materiais como de processos. Um exemplo seria a moldagem por injeção de espuma, que reduz a quantidade de material necessário.

Em que ponto estamos no que respeita aos materiais compostáveis e recicláveis?

Basicamente, os transformadores precisam de incentivos financeiros para mudar para estes materiais. O difícil é conseguir que a qualidade das peças recicladas, mas também compostáveis, seja comparável à do material virgem. O processamento de materiais reciclados não é, em si, um desafio tecnológico intransponível. Afinal de contas, processamos muitos materiais, e os reciclados apenas ampliaram esta gama. O desafio consiste em controlar as propriedades não uniformes dos materiais através de um controlo inteligente do processo. A limitação na utilização de reciclados depende do grau de pureza que apresentam. Neste sentido, os fabricantes de reciclados estão a trabalhar intensamente na estabilização e melhoria das propriedades dos mesmos, o que é muito promissor.

De que outra forma pode a sua empresa contribuir para aumentar a sustentabilidade?

Concentrando-se inteiramente na eletricidade. Na Europa, quase uma em cada duas máquinas são já totalmente elétricas. As máquinas totalmente elétricas são o futuro e, na depois do seu sucesso em mercados como o médico e a eletrónica, a proporção deste tipo de equipamentos está também a aumentar no mercado da embalagem e no setor automóvel. As máquinas de injeção totalmente elétricas menos energia, menos água, menos lubrificação com óleo e menos utilização de material, o que significa basicamente muito menos recursos. Tomemos como exemplo uma máquina totalmente elétrica de 350 toneladas: em comparação com uma máquina hidráulica da mesma classe de força de fecho, uma máquina exclusivamente elétrica produz 40 a 80 por cento menos CO2 por ano.

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