Informação profissional para a indústria de plásticos portuguesa

Este artigo enumera algumas das soluções em exibição na Interpack 2023, que irá decorrer de 4 a 10 de maio em Düsseldorf, Alemanha

Tendências no mercado da embalagem alimentar

10/03/2023
Atualmente, a embalagem alimentar é muito mais do que uma mera proteção do produto. É verdade que a sua função mais importante, desde o momento do embalamento até ao transporte, armazenamento e venda a retalho, é assegurar que o conteúdo chega a casa das pessoas intacto. Mas o design e o material também têm uma grande influência nas decisões de compra dos consumidores, que procuram cada vez mais marcas com embalagem sustentável.
Os consumidores querem mais soluções que permitam reduzir, reutilizar e reciclar recursos. (Imagem: Greiner)
Os consumidores querem mais soluções que permitam reduzir, reutilizar e reciclar recursos. (Imagem: Greiner)

Contudo, sem qualquer embalagem, a maioria dos alimentos não pode ser transportada, armazenada ou vendida, e no seu estado não embalado deteriorar-se-ia prematuramente. A embalagem protege o produto de influências nocivas como a luz, oxigénio ou humidade, além de evitar o contacto com elementos contaminantes. Por outro lado, garante prazos de validade alargados, contribuindo assim para a redução do desperdício alimentar.

Ao longo de toda a cadeia de criação de valor, globalmente, mais de 930 mil milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados todos os anos. Este número provém do último relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A Sociedade Suíça de Resíduos Alimentares chega mesmo a dizer que, em média, um terço de todos os alimentos é perdido ou acaba no lixo no percurso entre o campo e o prato. Por conseguinte, parte da Agenda 2030 da ONU consiste em reduzir para metade, até 2030, o desperdício mundial de alimentos per capita. Os autores do Relatório 2021 do Índice de Resíduos Alimentares também assumem que oito a dez por cento das emissões globais de gases com efeito de estufa provêm de alimentos que não são consumidos. As embalagens podem ajudar a reduzir este desperdício.

A seguir os ‘Objetivos de Desenvolvimento Sustentável’ das Nações Unidas está também a Iniciativa Save Food, fundada em 2011 pela Messe Düsseldorf, FAO e Interpack. O seu objetivo é criar uma consciência pública para a questão e desenvolver estratégias e soluções em cooperação com o poder político, a sociedade e a indústria. É dada uma atenção especial às inovações da indústria da embalagem. Neste contexto, um dos projetos de investigação em curso da Save Food procura respostas para a questão de como as embalagens alimentares biodegradáveis poderiam ser fabricadas a partir de resíduos alimentares ou de subprodutos da produção alimentar.

Este artigo enumera algumas das soluções em exibição na Interpack 2023, que irá decorrer de 4 a 10 de maio em Düsseldorf, Alemanha
O novo filme de PA/PE reciclável é também adequado para alimentos de conveniência. (Imagem: allvac)
O novo filme de PA/PE reciclável é também adequado para alimentos de conveniência. (Imagem: allvac)

Combinando proteção e sustentabilidade

Mas a embalagem não existe apenas para prolongar a frescura e o prazo de validade. Os consumidores estão a exigir cada vez mais embalagens ecológicas. É suposto estas serem recicláveis ou fabricadas a partir de materiais sustentáveis, mas, simultaneamente, oferecerem uma proteção ótima para produtos perecíveis. Estas premissas fazem da embalagem alimentar atual um verdadeiro produto de alta tecnologia. Por exemplo, a empresa allvac Folien GmbH desenvolveu um revestimento alimentar de onze camadas de poliamida/politetileno totalmente reciclável, certificada toda a UE pelo Institut cyclos-HTP. “Não oferecer soluções de embalagem ecológicas já não é uma opção. A pressão sobre os fabricantes de alimentos é simplesmente demasiado grande”, afirmou Andreas S. Gasse, CEO da allvac Folien GmbH.

Para embalagens alimentares que impeçam a troca de odores, os materiais mais adequados são os filmes de poliamida com orientação biaxial, utilizados por exemplo para embalar alimentos oleosos, gordurosos ou congelados. A procura destes filmes, que devem as suas propriedades especiais a um processo de estiramento, continua a aumentar e o mesmo acontece com a procura de linhas de equipamentos que realizam este processo. Um fabricante destas linhas, o expositor na interpack Brückner Maschinenbau, tem vindo a concentrar esforços para garantir uma maior eficiência na produção destes filmes. Do ponto de vista da engenharia mecânica, isto é conseguido através de uma menor utilização de recursos, menor consumo de energia e uma política de ‘desperdício zero’.

A procura de linhas de estiragem para produzir filme bi-orientado está a aumentar. (Imagem: Brückner Maschinenbau)
A procura de linhas de estiragem para produzir filme bi-orientado está a aumentar. (Imagem: Brückner Maschinenbau)

Reciclado para contacto alimentar

A Greiner Packaging já utiliza soluções de embalagem totalmente fabricadas em PET reciclado, o chamado rPET, e quer demonstrar que é assim que as embalagens alimentares do futuro devem ser feitas. Materiais resistentes ao calor como o rPET HTS garantem que, no futuro, o PET reciclado possa ser utilizado, inclusive, para embalar produtos que requerem esterilização através do calor. O fabricante também desenvolveu uma embalagem combinada cartão-plástico (um copo de plástico de paredes finas envolto por um invólucro de papel que o estabiliza) em que os dois materiais são facilmente separáveis pelo consumidor, o que facilita o processo de reciclagem de cada um.

A reciclagem do PET é um processo há muito estabelecido que fornece reciclado de qualidade para novas embalagens de alimentos. Mas não é caso único. Com a poliamida quimicamente reciclada Ultramid Ccycled, por exemplo, a BASF oferece novas possibilidades para o desenvolvimento de embalagens sustentáveis, especialmente para o setor dos produtos frescos. O grupo químico está a explorar novas oportunidades para utilizar resíduos plásticos no seu projeto ‘ChemCycling’ e está a desenvolver a tecnologia de pirólise que é utilizada para obter novos recursos a partir de resíduos plásticos que de outra forma seriam incinerados ou enviados para aterro sanitário. “Um processo termoquímico permite aos nossos parceiros obter matérias-primas recicladas de plásticos em fim de vida, que são depois introduzidas no sistema BASF. Olhando para o equilíbrio de massa, a matéria-prima pode ser rastreada até determinados produtos, por exemplo, o Ultramid Ccycled. Isto ajuda a substituir os recursos fósseis e é um passo importante para uma economia circular. Como os plásticos quimicamente reciclados são iguais aos novos produtos no que diz respeito à sua qualidade e segurança, a gama de plásticos sustentáveis que podem ser utilizados para embalar produtos frescos está a aumentar”, assegura Dominik Winter, vice-presidente do negócio europeu de poliamidas da BASF.

A atmosfera protetora adaptada no interior da embalagem mantém a qualidade da fruta por mais tempo. (Imagem: BASF)
A atmosfera protetora adaptada no interior da embalagem mantém a qualidade da fruta por mais tempo. (Imagem: BASF)

Processo de embalagem automático e rápido graças à impressão 3D

As mudanças no comércio retalhista, com o aumento das encomendas de alimentos através de plataformas eletrónicas e a necessidade de alimentos frescos durante todo o ano colocam grandes exigências à flexibilidade dos produtores e fabricantes. O Grupo Schubert desenvolveu uma solução de máquinas de embalagem baseadas em robôs, desenvolvidos pela própria empresa, que permitem a automatização com uma harmonização ótima dos processos de embalagem. Colocam produtos frescos, como comida pronta, diretamente da produção em embalagens primárias como tabuleiros ou embalagens flexíveis.

Muitas vezes, estas máquinas instaladas no embalador precisam de peças especiais, adequadas à utilização higiénica na indústria alimentar. Para as produzir, a Schubert desenvolveu a impressora 3D Partbox, que permite aos clientes fabricar rapidamente novas peças, nas suas próprias instalações. A empresa também fornece o correspondente material plástico para impressão, o Partbox Black, que cumpre as normas de higiene alimentar, tem boas propriedades mecânicas e uma elevada resistência à temperatura.

Com a impressora 3D Partbox, os fabricantes podem produzir ferramentas e peças sobressalentes em plástico nas suas próprias instalações...
Com a impressora 3D Partbox, os fabricantes podem produzir ferramentas e peças sobressalentes em plástico nas suas próprias instalações. (Imagem: Schubert)

Marcação de filme compostável sem impressão

Os especialistas da Domino Laser Academy estão a desenvolver novos substratos para a codificação e marcação de embalagens alimentares compostáveis. “Passamos muito tempo a analisar novos materiais de embalagem. Devido aos novos requisitos legais europeus para plásticos reciclados, cerca de 95 por cento das amostras de embalagens alimentares que precisamos de testar são plásticos reciclados ou recicláveis. Os nossos lasers de fibra e UV oferecem excelentes soluções para a codificação destes substratos. Estamos, contudo, convencidos de que nos próximos anos, a procura de soluções compostáveis irá aumentar. Queremos, portanto, estar preparados para oferecer aos nossos clientes conselhos e soluções relevantes para estes novos materiais”, afirma Stefan Stadler, líder da equipa da Domino Laser Academy. Neste contexto, a equipa laser testou o filme compostável NatureFlex da empresa japonesa Futamura relativamente à sua aptidão para a codificação laser. O laser produz um código branco e nítido no filme sem danificar a sua integridade, alterar a composição química ou afetar as propriedades da barreira à humidade. O método de codificação sem impressão não requer materiais adicionais no topo do substrato compostável, o que deverá facilitar muito mais a obtenção da certificação da embalagem final.

Nítido e claro: Código QR aplicado por laser num filme compostável. (Imagem: Domino)
Nítido e claro: Código QR aplicado por laser num filme compostável. (Imagem: Domino)

Ausência de higiene não é opção

Os fabricantes de embalagens para a indústria alimentar são obrigados a seguir regulamentos legais rigorosos que, entre outras coisas, exigem um elevado nível de higiene. Mas a higiene é muito mais do que apenas limpeza e desinfeção. Muitas aplicações, por exemplo no setor alimentar, utilizam ar comprimido. Se este entrar em contacto direto com os alimentos ou for utilizado para limpeza, também não deve estar contaminado com germes. A SMC Deutschland desenvolveu um novo filtro para bactérias que cumpre rigorosos requisitos de higiene da indústria alimentar. Com um desempenho de filtragem de 99,99 por cento, assegura que as normas alimentares internacionais podem ser cumpridas. Isto aplica-se à utilização de ar comprimido para abrir ou manter as embalagens abertas durante o enchimento, para limpeza de alimentos residuais, pó ou massa, ou para injetar nitrogénio para o interior da embalagem para evitar que os alimentos oxidem.

Um novo filtro para bactérias fabricado pela SMC Deutschland reduz drasticamente a contaminação. (Imagem: SMC)
Um novo filtro para bactérias fabricado pela SMC Deutschland reduz drasticamente a contaminação. (Imagem: SMC)

O setor alimentar é um dos mais representados entre os visitantes da Interpack, e isso reflete-se no número de expositores vocacionados para este segmento. De 4 a 10 de maio de 2023, os visitantes da principal feira mundial de embalagem vão poder ver, em Düsseldorf, as soluções sustentáveis que a indústria alimentar tem à sua disposição, expostas nos Pavilhões 5, 6 e 11 a 14. Para mais informações, consulte o site www.interpack.de.

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