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"É fundamental continuar a trabalhar a circularidade das embalagens em todo o seu ciclo de vida. Isto significa incorporar mais material reciclável, reduzir o recurso a matérias-primas e encontrar materiais alternativos."

Entrevista a Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde

Alexandra Costa19/06/2024

“As embalagens são o único fluxo urbano a cumprir com as suas metas de reciclagem, mas a verdade é que dentro de um ano o país tem de estar a reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado, e atualmente essa taxa mantém-se nos 60% (dados de 2023).” Este é o ponto de situação de Portugal no que concerne à reciclagem. Uma 'breve' conversa com Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, mostrou a necessidade de investir mais na consciencialização do consumidor, mas também a premência de apostar em inovação, investigação e desenvolvimento para encontrar soluções para a integração de materiais recicláveis nas embalagens.

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As últimas medidas anunciadas pela Comissão Europeia no que concerne às embalagens ajudarão a resolver o problema das mesmas? São suficientes?

Na nossa perspetiva, a aplicação das medidas previstas no acordo para o novo regulamento para Embalagens e Resíduos de Embalagem (PPWR) é muito importante para fazer os sistemas de reciclagem evoluírem. A harmonização de critérios a nível europeu de ecomodulação das prestações financeiras no âmbito da Responsabilidade Alargada do Produtor, prevista neste novo regulamento, afigura-se como uma ferramenta muito importante para promover a sustentabilidade das embalagens rumo a uma economia circular. Ao fixar o valor da prestação financeira em função da presença ou ausência de elementos disruptivos para os processos de triagem e reciclagem, alavanca a inovação no setor para que as embalagens tenham um menor impacto ambiental. Tudo isto se traduz em ganho ambiental, mas também económico para o embalador que vê o seu investimento em inovação ser compensado/bonificado por uma redução na prestação financeira a pagar ao SIGRE.

Mais uma vez fica patente a necessidade de apostar em inovação, investigação e desenvolvimento para encontrar soluções para a integração de materiais recicláveis nas embalagens, com menor recurso a matérias-primas e mais utilização de matérias primas secundárias, através de ferramentas como o ecodesign e a colaboração, como é estratégia e tem vindo a ser defendido pela Sociedade Ponto Verde.

O que efetivamente deveria ser feito para diminuir a quantidade de embalagens de plástico produzidas (e não recicladas)?

É fundamental continuar a trabalhar a circularidade das embalagens em todo o seu ciclo de vida, para a melhoria do seu desempenho ambiental. Isto significa incorporar mais material reciclável, reduzir o recurso a matérias-primas e encontrar materiais alternativos. O PPWR só vem tornar esta transição ainda mais crítica, como já referimos.

A Sociedade Ponto Verde já tem vindo a fomentar esta transição há alguns anos, desenvolvendo projetos como o Ponto Verde Lab. Uma plataforma que coloca os diversos agentes da cadeia de valor das embalagens a colaborarem entre si para atingirem estes objetivos, numa abordagem assente na inovação, tecnologia, inovação e desenvolvimento. Destaco por exemplo o trabalho desenvolvido pela equipa de investigação do IBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica da Universidade Nova de Lisboa para o fabrico de uma película aderente vegan a partir de pele de tomate e de casca de grão de milho. Mas este é apenas um dos 46 projetos de investigação e desenvolvimento que já apoiamos no âmbito do Ponto Verde Lab, envolvendo um total de 87 entidades.

Também no sentido de incentivar boas práticas junto dos nossos clientes, recentemente juntámo-nos à Logoplaste Innovation Lab e ao Bureau Veritas Certification na disponibilização de um serviço de certificação de reciclabilidade para embalagens de plástico com o selo de qualidade das Certificações Recyclass. Uma certificação europeia que assegura que os fabricantes e as marcas prestam informações claras e exatas sobre a reciclabilidade das suas embalagens de plástico, promovendo uma maior transparência junto dos consumidores.

A solução no que concerne a mudança de comportamentos que levem a uma maior reciclagem passa por regulação (obrigatória) europeia?

A regulação tem um papel importante para apontar numa direção, mas não é tudo. Todos temos um papel ativo na reciclagem. Às empresas, marcas, entidades e indústria cabe colaborar entre si para mais eficácia dos sistemas de recolha e triagem e melhores embalagens do ponto de vista ambiental. Aos cidadãos cabe igualmente fazerem a sua parte, colocando nos ecopontos respetivos as embalagens depois de utilizadas. E nós, Sociedade Ponto Verde, enquanto responsáveis pela gestão do sistema de reciclagem em Portugal, estamos ao lado de todos os agentes desta grande cadeia de valor, fomentando a colaboração necessária entre todos, mais tecnologia, mais inovação e mais comunicação e sensibilização para aumentar os níveis de literacia ambiental e, no final, os níveis de reciclagem. Só desta forma conseguiremos cumprir as metas de reciclagem que temos neste curto horizonte 2025/2030.
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Há vários projetos de investigação que procuram encontrar materiais alternativos. É esse o caminho?

Sim, o caminho é esse: investigação e desenvolvimento, aliados à tecnologia e digitalização. A investigação permite inovar no desenvolvimento de embalagens mais circulares, isto é, que incorporem menos materiais desnecessários, com menor recurso a matérias-primas virgens e mais matérias-primas secundárias, garantindo toda a segurança dos produtos que transportam para o consumidor. Permite, também, inovar na recolha e tratamento de resíduos que resultem na melhoria do serviço prestado ao cidadão e, com isso, no aumento dos níveis de reciclagem.

O Re-Source é um dos exemplos do quanto a Sociedade Ponto Verde tem vindo a fomentar este caminho. Trata-se de um programa de inovação colaborativa, desenvolvido em parceria com a Beta-i, que desafia startups de todo o mundo a trabalhar em conjunto com grandes empresas e organizações em Portugal. Daqui resultam projetos-piloto inovadores para aumentar a circularidade das embalagens, apoiar a transição digital do setor e encontrar novas abordagens que signifiquem mais acessibilidade e conveniência do serviço prestado aos cidadãos, fazendo com que estes participem cada vez mais no processo de reciclagem.

Como vê o cenário português quando comparado com os outros países europeus?

O cenário português atualmente é muito desafiante. As embalagens são o único fluxo urbano a cumprir com as suas metas de reciclagem, mas a verdade é que dentro de um ano o país tem de estar a reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado, e atualmente essa taxa mantém-se nos 60% (dados de 2023). A evolução da reciclagem de embalagens tem sido notável ao longo dos anos, mas os últimos anos indicam alguma estagnação e é preciso acelerar para evitar que Portugal entre em incumprimento. O país pode estar certo do compromisso da Sociedade Ponto Verde para atingir as metas europeias, envolvendo clientes e parceiros e tendo como alavanca fundamental a inovação.

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