London Packaging Week 2025 realizar-se-á nos dias 15 e 16 de outubro, no Excel London
A indústria de embalagens está a passar por uma transformação, impulsionada pela necessidade de combinar sustentabilidade e inovação. Foi isso que destacou Michael Carroll, especialista em embalagens com mais de duas décadas de experiência em empresas como a Nestlé e a Kellogg, durante a sua participação como jurado nos London Packaging Week Innovation Awards. A sua intervenção proporcionou uma visão precisa dos desafios e avanços no setor, salientando de que forma os critérios ambientais estão a ser cada vez mais integrados na conceção de soluções de embalagem eficazes e diferenciadoras.
Cada edição dos prémios reúne um júri diversificado e especializado, que avalia candidaturas de áreas como a cosmética, os produtos de grande consumo, os destilados e os produtos de luxo. Este ano, o júri — composto por 18 profissionais — analisou centenas de propostas, avaliando a criatividade, a viabilidade técnica e o compromisso ambiental de cada inovação.
arroll sublinhou que a sustentabilidade foi um tema constante na avaliação, tendo sido dada especial atenção a aspetos como a compostabilidade e o fim de vida dos materiais. No entanto, destacou que não se pode aplicar um único critério a todos os setores: “Não faz sentido aplicar os mesmos critérios de sustentabilidade às embalagens de cosméticos e às embalagens de alimentos de grande volume.” Esta abordagem setorial, afirmou, permite uma melhor compreensão dos desafios específicos de cada categoria.
Entre as propostas avaliadas, Carroll destacou a utilização crescente do papel e as novas técnicas de revestimento como desenvolvimentos promissores. Mencionou, em particular, um copo com revestimento mineral e sem folha de PE, que descreveu como “um fator de mudança” com “potencial real para transformar a indústria”, embora tenha salientado que o seu impacto dependerá da sua adoção generalizada.
O especialista sublinhou a necessidade de uma abordagem holística: “todo o percurso da embalagem deve ser tido em conta, quer se trate de produtos de grande consumo ou de luxo. A sustentabilidade deve estar presente desde o início, mas a embalagem deve continuar a cumprir a sua função”. Também alertou para o facto de nem tudo poder ser reduzido à reciclagem ou a materiais reciclados. ”Do ponto de vista da redução das emissões de CO2, estas nem sempre são as opções mais eficientes. Por vezes, a recuperação de energia é menos intensiva em carbono do que todo o processo de recolha, triagem, limpeza e reciclagem", explicou, sublinhando a importância de avaliações independentes do ciclo de vida (ACV).
Uma das tendências que observou com interesse foi a crescente maturidade das marcas na comunicação dos seus progressos. “A embalagem pode não ser totalmente reciclável, mas parte do processo foi melhorado ou as emissões foram reduzidas”, afirmou. Como exemplo, citou uma empresa de cosméticos que deu prioridade à minimização da sua pegada de carbono sem sacrificar a apresentação de qualidade superior. Estas decisões, segundo ele, estão a tornar-se mais comuns.
Carroll também insistiu no facto de o progresso ser frequentemente gradual. “Nem sempre há grandes revoluções. Por vezes, são pequenas renovações: ajustar uma forma para otimizar a logística ou alterar a embalagem secundária pode melhorar significativamente a eficiência do sistema”, afirmou. Algumas das inovações destacadas resolveram problemas que, até à sua apresentação, nem sequer tinham sido claramente identificados.
Noutros casos, as soluções exigiam uma abordagem completamente disruptiva. A título de exemplo, mencionou um produto sólido (Bombay mix snack) apresentado numa embalagem tradicionalmente reservada aos líquidos: uma lata. “Alguém decidiu não utilizar o típico stand-up pouch. Optaram por romper com o status quo, o que é sempre positivo”, afirmou.
Relativamente às alegações de sustentabilidade, Carroll recomenda cautela e transparência. Existem muitos rótulos como “embalagem inovadora”, “sustentável” ou “100% reciclável”. Mas até que ponto é realmente assim? Que certificações têm? Em que mercados são efetivamente recicladas? Carroll criticou expressões como “100% papel” ou “100% sem plástico”, recordando que até mesmo uma lata de alumínio contém tintas, revestimentos de plástico ou selos de polímero. “Muito poucas coisas são verdadeiramente 100%”, afirmou.
Na sua análise, o especialista valorizou particularmente as propostas que apresentavam dados técnicos pormenorizados. “Quero saber que tipo de cartão foi utilizado, com que gramagem e porque é que esse material foi escolhido, se foi testado em termos de resistência e se foi testado em linha”, afirmou. Esta abordagem meticulosa é, na sua opinião, o que permite distinguir entre uma verdadeira inovação e uma mera declaração de intenções.
Por outro lado, recordou que as mudanças nas embalagens exigem um investimento considerável. “As pessoas não têm consciência de quanto custa mudar um sistema de embalagem. As linhas estão adaptadas a formatos muito específicos. Mudar é uma despesa enorme e leva tempo”, explicou. O processo pode envolver mais de 18 meses de desenvolvimento, compra, instalação, testes e validação, com um custo que pode facilmente exceder um milhão de libras.
Carroll também valorizou a diversidade do júri, com perfis de setores como os cosméticos, os vinhos, as bebidas espirituosas e os bens de consumo, o que permitiu uma troca de ideias enriquecedora. “Alguém do mundo do luxo pode perguntar-se como acrescentar valor percetível a um produto normal, enquanto alguém do setor dos bens de consumo pensa em reduzir custos ou materiais”, afirmou. Este cruzamento de visões, segundo ele, é fundamental para avançar para embalagens mais inteligentes e mais sustentáveis.
Globalmente, as suas reflexões traçam um quadro de transição, em que a indústria de embalagens procura um equilíbrio entre design, funcionalidade, sustentabilidade e realismo económico. Um caminho que exige empenho, criatividade e colaboração, mas que, ao mesmo tempo, oferece um enorme potencial para gerar valor ambiental e comercial a longo prazo.
A London Packaging Week 2025 realizar-se-á de 15 a 16 de outubro, no ExCeL London.
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