O compromisso da indústria automóvel com a circularidade deu um passo em frente com o lançamento do Fiat Grande Panda, o primeiro veículo a ser fabricado com materiais provenientes da reciclagem de embalagens de bebidas usadas. Com esta inovação, que a empresa já tinha revelado há alguns meses, a Fiat torna-se o primeiro construtor do mundo a integrar material polyAl reciclado - uma combinação de polímeros e resíduos de alumínio - em componentes visíveis do interior dos automóveis, abrindo um precedente para a produção sustentável em grande escala.
Cada unidade do novo Fiat Grande Panda contém material reciclado equivalente a 140 pacotes de bebidas, integrado em componentes interiores como a consola central, o painel de instrumentos e os painéis das portas dianteiras e traseiras. O resultado combina sustentabilidade e design, uma vez que o material reciclado não só cumpre as normas técnicas e de resistência do setor automóvel, como também proporciona um acabamento estético distinto, graças ao brilho metálico do alumínio presente no compósito.
Os cartões para bebidas - como os utilizados para leite ou sumo - são compostos, em média, por 70% de cartão, 25% de polímeros e 5% de alumínio. Enquanto a fração de cartão é facilmente reciclada em papel, toalhas de mesa ou guardanapos, a restante fração de polímeros e alumínio (polyAl) tem sido historicamente mais difícil de recuperar.
Para fazer face a este desafio, a Tetra Pak tem conduzido nos últimos anos uma série de projetos para expandir as aplicações do polyAl em colaboração com recicladores e fabricantes de compostos plásticos. Um dos resultados mais notáveis, deste esforço conjunto, foi o desenvolvimento do Lapolen Ecotek, um material compósito produzido pela Lapo Compound, que agora ocupa o lugar central no interior do Fiat Grande Panda.
“A utilização de polyAl reciclado demonstra que este material pode competir em qualidade e custo com os plásticos virgens, mesmo em aplicações de alta visibilidade”, explica Giuseppe Crisci, diretor-geral da Lapo Compound. "A nossa inovação respondeu com sucesso ao desafio técnico lançado pela Fiat, mantendo as propriedades mecânicas e estéticas necessárias para o interior do veículo, contribuindo ao mesmo tempo para uma economia mais circular”.
A Fiat e a Lapo Compound trabalharam em estreita colaboração para adaptar o material aos requisitos da indústria automóvel. A chave era conseguir uma tonalidade azul uniforme e um acabamento brilhante que tirasse partido do efeito refletor do alumínio reciclado. Desta forma, a Fiat decidiu incorporar o material não só em áreas escondidas, mas também em partes visíveis do habitáculo, enviando uma mensagem clara: o material reciclado pode ser tecnicamente avançado e esteticamente atrativo.
Esta iniciativa faz parte da filosofia de design ‘menos é mais’ da Fiat, que se centra na eliminação de componentes desnecessários e na redução da utilização de materiais poluentes, como os cromados ou o couro. O resultado é um veículo mais sustentável, mais leve e com menor impacto ambiental.
De acordo com Kinga Sieradzon, vice-presidente de Operações de Sustentabilidade da Tetra Pak, “a utilização de materiais reciclados de embalagens de cartão para bebidas no Fiat Grande Panda é uma excelente demonstração do potencial do polyAl em várias indústrias. É um exemplo tangível de como a inovação pode impulsionar a mudança para uma economia mais circular e eficiente”.
Sieradzon sublinhou também a importância da colaboração entre os diferentes atores: ”através de parcerias com fabricantes como a Fiat e a Lapo Compound, e com o apoio dos governos e dos consumidores, podemos acelerar o desenvolvimento de mercados finais para os materiais reciclados. Este esforço coletivo é essencial para avançarmos para um futuro sustentável”.
A utilização de poliálcool reciclado na indústria automóvel coloca a Fiat à frente dos objetivos estabelecidos pela nova legislação europeia relativa aos veículos em fim de vida (VFV), atualmente em fase de aprovação. Esta legislação estabelecerá, entre outros requisitos, que pelo menos 25% do plástico utilizado nos veículos novos deve provir de materiais reciclados e que uma percentagem deste material deve ser de ciclo fechado (proveniente de outros automóveis).
Com este projeto, a Fiat não só se antecipa a estes objetivos, como também demonstra a viabilidade industrial de integrar materiais reciclados complexos na produção em massa de automóveis, sem comprometer a segurança e a qualidade do produto final. O novo Fiat Grande Panda já está disponível na maioria dos países europeus e a Fiat planeia lançá-lo noutros mercados internacionais antes do final do ano.
“O desafio atual é aumentar a escala deste tipo de soluções”, acrescenta Crisci. "O mercado está a começar a reconhecer que o material reciclado não é um substituto de qualidade inferior, mas uma alternativa inteligente e competitiva que está alinhada com as necessidades de sustentabilidade da sociedade e da legislação.
Como sublinha Sieradzon, "esta iniciativa demonstra que a sustentabilidade não é um constrangimento, mas uma oportunidade para reinventar a forma como fabricamos e consumimos. Cada embalagem reciclada que passa a fazer parte de um automóvel simboliza um passo em direção a um sistema em que nada é desperdiçado e tudo é transformado”.
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