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Inovação e economia circular no setor dos bioplásticos

Projeto Biovalsa aposta em resíduos agrícolas para produzir bioplásticos sustentáveis a menor custo

20/01/2026

O centro tecnológico Aimplas lidera o projeto Biovalsa, uma iniciativa que está a desenvolver novos processos para transformar resíduos agrícolas e de poda em bioplásticos sustentáveis, reduzindo significativamente os custos associados à sua produção. O projeto é financiado pelo IVACE+i Innovación e conta com apoio da União Europeia através do programa FEDER Comunitat Valenciana 2021-2027.

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Todos os anos, o setor agrícola da Comunidade Valenciana gera cerca de 800 mil toneladas de resíduos vegetais, como palha de arroz e restos de poda de citrinos. Apesar do seu elevado potencial como matéria-prima, a valorização desta biomassa enfrenta limitações económicas, uma vez que os processos atuais dependem de enzimas comerciais que podem representar até 40% do custo total. Segundo o projeto, este fator “limita a viabilidade industrial” da transformação destes resíduos em materiais de base biológica.

Processos alternativos para reduzir custos e aumentar a competitividade

O Biovalsa tem como objetivo desenvolver rotas tecnológicas alternativas que permitam fabricar bioplásticos a partir de resíduos agrícolas, evitando o recurso a compostos químicos dispendiosos. A estratégia passa pela recuperação integral das três frações que compõem a biomassa lignocelulósica – celulose, hemicelulose e lignina – para posterior aplicação na indústria dos biopolímeros.

A celulose será utilizada para a produção de ácido láctico, um composto essencial no fabrico do PLA, atualmente o bioplástico mais utilizado a nível industrial. Já a hemicelulose permitirá obter ácido succínico, necessário para a produção de PBS, um biopolímero sustentável que se distingue pela maior flexibilidade e resistência térmica.

A lignina, por sua vez, apresenta propriedades antimicrobianas que possibilitam a sua utilização como aditivo funcional. Esta aplicação contribui para prevenir a proliferação de microrganismos, aumentando o valor acrescentado e alargando as possíveis aplicações dos materiais biodegradáveis e compostáveis obtidos.

Consórcio com foco na aplicação industrial

Coordenado pelo Aimplas, que aporta a sua experiência em valorização de resíduos e fabrico de biopolímeros, o projeto reúne ainda o Instituto Universitário de Engenharia Alimentar da Universidade Politécnica de Valência (FoodUPV) e três empresas da Comunidade Valenciana: Bioban, Viromii e Prime Biopolymers.

A Bioban participa com a sua capacidade de análise genómica, identificando as estirpes bacterianas mais adequadas aos processos de transformação. A Viromii é responsável pela avaliação da viabilidade económica dos novos processos de obtenção de biocompósitos. A Prime Biopolymers, enquanto utilizador final, assegura a produção dos biomateriais e a análise da aplicabilidade industrial dos materiais desenvolvidos ao longo do projeto.

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Primeiros resultados técnicos

No seu primeiro ano de desenvolvimento, o Biovalsa já registou avanços na separação dos componentes da palha de arroz através de métodos alternativos que não recorrem a substâncias tóxicas.

Paralelamente, estão a ser testadas diferentes estirpes de bactérias e microrganismos capazes de degradar a celulose e a hemicelulose, permitindo gerar os ácidos láctico e succínico necessários à produção de bioplásticos.

Enquadramento estratégico

O projeto está alinhado com as conclusões dos Comités Estratégicos de Inovação Especializada (CEIE) nas áreas da Economia Circular e das Tecnologias Facilitadoras, promovidos pelo IVACE+i Innovación. Enquadra-se igualmente nos principais eixos da Estratégia de Especialização Inteligente da Comunidade Valenciana (S3), coordenada pela Secretaria Regional da Indústria, Turismo, Inovação e Comércio.

Com o BIOVALSA, o Aimplas e os seus parceiros procuram demonstrar que resíduos agrícolas podem ser integrados de forma eficiente e economicamente viável na cadeia de valor dos plásticos, contribuindo para o desenvolvimento de materiais mais sustentáveis e com potencial de aplicação industrial.

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