O centro tecnológico Aimplas lidera o projeto Biovalsa, uma iniciativa que está a desenvolver novos processos para transformar resíduos agrícolas e de poda em bioplásticos sustentáveis, reduzindo significativamente os custos associados à sua produção. O projeto é financiado pelo IVACE+i Innovación e conta com apoio da União Europeia através do programa FEDER Comunitat Valenciana 2021-2027.
O Biovalsa tem como objetivo desenvolver rotas tecnológicas alternativas que permitam fabricar bioplásticos a partir de resíduos agrícolas, evitando o recurso a compostos químicos dispendiosos. A estratégia passa pela recuperação integral das três frações que compõem a biomassa lignocelulósica – celulose, hemicelulose e lignina – para posterior aplicação na indústria dos biopolímeros.
A celulose será utilizada para a produção de ácido láctico, um composto essencial no fabrico do PLA, atualmente o bioplástico mais utilizado a nível industrial. Já a hemicelulose permitirá obter ácido succínico, necessário para a produção de PBS, um biopolímero sustentável que se distingue pela maior flexibilidade e resistência térmica.
A lignina, por sua vez, apresenta propriedades antimicrobianas que possibilitam a sua utilização como aditivo funcional. Esta aplicação contribui para prevenir a proliferação de microrganismos, aumentando o valor acrescentado e alargando as possíveis aplicações dos materiais biodegradáveis e compostáveis obtidos.
Coordenado pelo Aimplas, que aporta a sua experiência em valorização de resíduos e fabrico de biopolímeros, o projeto reúne ainda o Instituto Universitário de Engenharia Alimentar da Universidade Politécnica de Valência (FoodUPV) e três empresas da Comunidade Valenciana: Bioban, Viromii e Prime Biopolymers.
A Bioban participa com a sua capacidade de análise genómica, identificando as estirpes bacterianas mais adequadas aos processos de transformação. A Viromii é responsável pela avaliação da viabilidade económica dos novos processos de obtenção de biocompósitos. A Prime Biopolymers, enquanto utilizador final, assegura a produção dos biomateriais e a análise da aplicabilidade industrial dos materiais desenvolvidos ao longo do projeto.
No seu primeiro ano de desenvolvimento, o Biovalsa já registou avanços na separação dos componentes da palha de arroz através de métodos alternativos que não recorrem a substâncias tóxicas.
Paralelamente, estão a ser testadas diferentes estirpes de bactérias e microrganismos capazes de degradar a celulose e a hemicelulose, permitindo gerar os ácidos láctico e succínico necessários à produção de bioplásticos.
Com o BIOVALSA, o Aimplas e os seus parceiros procuram demonstrar que resíduos agrícolas podem ser integrados de forma eficiente e economicamente viável na cadeia de valor dos plásticos, contribuindo para o desenvolvimento de materiais mais sustentáveis e com potencial de aplicação industrial.
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