A Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), em parceria com o SDR Portugal, reuniu representantes da indústria, distribuição e retalho numa conferência dedicada ao novo Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), cuja entrada em vigor está marcada para 10 de abril e poderá devolver até 213 milhões de euros aos consumidores portugueses.
A implementação do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) só será bem-sucedida com o envolvimento ativo dos consumidores e uma forte articulação entre todos os elos da cadeia de valor. Esta foi a principal conclusão da conferência promovida pela FIPA em parceria com o SDR Portugal, que decorreu no passado dia 11 de fevereiro, em Lisboa, no âmbito da Lisbon Food Affair.
O encontro centrou-se nos desafios associados à entrada em vigor do novo sistema, marcada para 10 de abril, que permitirá a devolução de até 213 milhões de euros aos consumidores através da entrega de embalagens de bebidas.
Na sessão de abertura, o presidente da FIPA, Jorge Tomás Henriques, destacou os desafios que as empresas enfrentam na gestão de embalagens e reiterou o compromisso do setor em avançar com a regulamentação e aplicação do SDR, sublinhando a necessidade de conciliar as metas ambientais definidas por Bruxelas com a realidade da indústria e as expectativas dos consumidores.
Leonardo Mathias, presidente da SDR Portugal, reforçou a dimensão estrutural do projeto, salientando que o sistema implicará um investimento de cerca de 100 milhões de euros na instalação de aproximadamente 2.500 máquinas de venda inversa e mais de 8.000 pontos de recolha, preparados para responder a um universo estimado de 2,1 mil milhões de embalagens. A circularidade — assente na redução, recuperação e reciclagem de materiais — foi apontada como eixo central da iniciativa.
Seguiu-se a apresentação técnica de Miguel Mira, da SDR Portugal, que detalhou o funcionamento do sistema, aplicável a embalagens de bebidas de uso único, como garrafas de plástico e latas de alumínio ou aço até três litros, com o objetivo de promover a reciclagem de elevada qualidade e reduzir o consumo de recursos naturais.
A logística foi identificada como um dos principais desafios, sobretudo devido à capilaridade do retalho nacional e à complexidade do canal Horeca na gestão da recolha. No debate final, que reuniu representantes da CircularDrinks, Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de Nascente (APIAM), SDR Retalhistas e PROBEB - Associação Portuguesa das Bebidas Refrescantes, Sumos de Fruta e Néctares, foram ainda apontadas a incerteza quanto ao comportamento do consumidor e a necessidade de uma regulamentação ágil e eficaz como fatores críticos para o êxito do sistema.
No final, ficou clara a mensagem central do encontro: as embalagens não são resíduos, mas recursos com valor económico e ambiental, cuja circularidade depende do compromisso coletivo.
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