A European Plastics Converters (EuPC) alertou para uma situação de emergência no setor europeu dos plásticos, provocada pela escalada das tensões no Médio Oriente e pelo aumento acentuado dos preços da energia e das matérias-primas.
Como consequência, os preços do petróleo e do gás têm registado subidas significativas, acompanhadas por uma crescente volatilidade nos mercados de commodities, com impacto imediato em toda a cadeia de abastecimento de polímeros e plásticos na Europa.
Segundo a EuPC, as mais de 50 mil empresas europeias de transformação e processamento de plásticos – que empregam mais de 1,6 milhões de pessoas e geram um volume de negócios superior a 300 mil milhões de euros – enfrentam aumentos súbitos nos preços das matérias-primas, instabilidade no fornecimento e um agravamento dos custos energéticos e logísticos. A situação está ainda a comprometer a previsibilidade das operações e a dificultar o planeamento contínuo da produção.
A pressão sobre a cadeia de valor é descrita como sem precedentes, colocando em risco a viabilidade de muitas empresas, sobretudo pequenas e médias. Este cenário surge numa fase já exigente para o setor, que se encontra empenhado na transição para uma economia circular, um processo que implica investimentos industriais e atualizações tecnológicas significativas.
“Perante uma volatilidade tão extrema nos preços das matérias-primas e da energia, os aumentos terão de ser repercutidos ao longo de toda a cadeia de valor dos plásticos”, afirmou o presidente da EuPC, Benoit Hennaut.
A associação sublinha que muitas empresas estão a operar com margens fortemente comprimidas e a assumir riscos financeiros elevados para garantir o acesso a materiais essenciais. Caso os custos continuem a aumentar, os transformadores europeus poderão ser forçados a reduzir ou suspender produções, incluindo em setores críticos como a saúde, embalagens, automóvel, construção e energia.
Num cenário de agravamento prolongado, a EuPC admite que algumas empresas poderão não resistir, apelando aos decisores políticos europeus e aos Estados-membros para a implementação de um teto aos preços da energia, conforme discutido na reunião do Conselho da União Europeia de 19 de março de 2026, e ao reforço de esforços diplomáticos para travar a escalada do conflito energético no Médio Oriente.
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