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Em resposta aos desafios do PPWR

Folhadela Rebelo reforça aposta no mercado PET com soluções para aumentar a eficiência e a incorporação de reciclado

28/05/2026
A crescente pressão regulatória sobre a incorporação de reciclado e a necessidade de garantir estabilidade produtiva estão a produzir alterações no setor das embalagens em PET. Em Portugal, a Folhadela Rebelo quer posicionar-se como um dos principais parceiros tecnológicos desta indústria, reunindo um portefólio de soluções direcionadas para eficiência energética, automação, doseamento, descontaminação e processamento de rPET.
Foto: Holland Colours

Foto: Holland Colours

“A Folhadela Rebelo quer ser uma referência nacional no mercado do PET”, afirma a empresa. Essa estratégia levou à integração de várias representadas especializadas no processamento de PET e rPET, cobrindo desde sistemas de transformação e automação até aditivos, corantes e tecnologias de desumidificação.

O contexto de mercado ajuda a explicar esta aposta. A introdução crescente de rPET nas embalagens, impulsionada pelas metas europeias de circularidade e pela futura aplicação do PPWR (Packaging and Packaging Waste Regulation), está a introduzir novas exigências técnicas na transformação. Segundo a Folhadela Rebelo, a escassez e o elevado custo do rPET continuam a representar um dos maiores desafios para os transformadores. A este respeito, a empresa critica a “falta de uma cadeia de recolha dedicada a este material” e aponta o novo programa ‘Volta’ como um possível “game changer”.

Marcas representadas pela Folhadela Rebelo para o processamento de PET e rPET

Magic MP: Injection Blow moulding (IBM)

Magic Robótica: Sistemas de automatização como o mPack ou mPaletizer

Digicolor: Desumidificadores e sistemas de alimentação centralizada

Movacolor: Soluções de doseamento gravimétrico

Holland Colours: Corantes e aditivos

rPET obriga a novas abordagens tecnológicas

A crescente utilização de PET reciclado está a alterar profundamente os requisitos de processamento, sobretudo em aplicações de embalagem alimentar, onde a estabilidade da viscosidade intrínseca (IV), a aparência visual e a conformidade regulamentar são determinantes. “Já não se trata apenas de incorporar reciclado, mas de garantir a estabilidade dos corantes, repetibilidade e qualidade visual”, salienta a Folhadela Rebelo.

Para responder a estes desafios, a empresa comercializa os aditivos e corantes da holandesa Holland Colours (HCA). Entre as soluções destacadas está o ViscoBoost, desenvolvido especificamente para melhorar a viscosidade intrínseca do rPET. O aditivo atua na reconstrução das cadeias poliméricas degradadas durante os ciclos anteriores de processamento, permitindo recuperar propriedades fundamentais do material.

A tecnologia pode ser integrada diretamente em extrusoras convencionais mono ou duplo fuso, sem necessidade de alterações significativas de processo, sendo compatível com sistemas gravimétricos e volumétricos standard.

A crescente utilização de PET reciclado está a alterar profundamente os requisitos de processamento...

A crescente utilização de PET reciclado está a alterar profundamente os requisitos de processamento. Foto: Holland Colours

Outro dos desafios críticos do rPET prende-se com as variações de cor e os tons amarelados ou esverdeados frequentemente presentes no material reciclado. Para isso, a Holland Colours desenvolveu a solução TintMask, concebida para neutralizar desvios cromáticos através do princípio das cores complementares.

“O TintMask permite aumentar significativamente a flexibilidade de sourcing do rPET, mantendo simultaneamente a estética da embalagem”, explica a Folhadela Rebelo. A solução pode ser aplicada diretamente em flakes ou granulado reciclado, tanto na extrusão como na moldação de preformas.

Segundo a Holland Colours, o sistema ajuda a melhorar a consistência visual entre lotes e aumentar o valor do rPET de menor qualidade, reduzindo a necessidade de recorrer exclusivamente a PET virgem.

Corantes e aditivos ganham relevância na embalagem

Além das soluções específicas para rPET, a Holland Colours disponibiliza um conjunto alargado de corantes e aditivos para embalagem PET, abrangendo bebidas, produtos alimentares, cosmética, detergentes, farmacêutica e bebidas alcoólicas.

A empresa destaca-se pela utilização de sistemas de elevada concentração — até 85% de carga — e por uma tecnologia própria baseada num carrier não polimérico de comportamento híbrido sólido-líquido. Segundo a fabricante, esta abordagem permite combinar as vantagens operacionais do masterbatch com a dispersão típica dos líquidos.

A gama inclui soluções para proteção UV, redução de acetaldeído, barreira ao oxigénio, acabamento mate, melhoria de deslizamento e proteção da vida útil do produto.

Particular destaque merece o desenvolvimento de soluções específicas para embalagens de bebidas sensíveis ao oxigénio, como cerveja, vinho, leite UHT ou sumos, nomeadamente, sistemas de barreira monomaterial compatíveis com PET monocamada, alinhados com as atuais tendências de reciclabilidade.

“A Holland Colour é uma empresa muito disruptiva no mercado dos corantes e aditivos. Nunca antes tivemos em Portugal uma marca com um stock tão elevado e diversificado de cores, e com percentagens de doseamento tão baixas”, sublinha a Folhadela Rebelo.

A Holland Colours disponibiliza um conjunto alargado de corantes e aditivos para embalagem PET. Foto: Holland Colours
A Holland Colours disponibiliza um conjunto alargado de corantes e aditivos para embalagem PET. Foto: Holland Colours

Eficiência energética e doseamento de precisão

Outra das áreas onde a Folhadela Rebelo tem vindo a reforçar a presença é no controlo de processo e na eficiência energética. Neste domínio, a empresa comercializa as soluções da Movacolor, fabricante especializada em sistemas de doseamento gravimétrico.

Uma das tecnologias destacadas é o sistema MDS Balance Drydose, que combina desumidificação e doseamento num único equipamento compacto. O sistema foi desenvolvido para evitar problemas de hidrólise, riscos de humidade residual e defeitos superficiais durante o processamento de materiais higroscópicos.

A solução opera diretamente junto à entrada da máquina, minimizando perdas térmicas e reabsorção de humidade. O equipamento integra quatro entradas de ar quente e isolamento completo da tremonha, permitindo manter níveis de humidade controlados durante o processamento.

Segundo a Folhadela Rebelo, a eficiência energética começa precisamente na desumidificação, uma área ainda subvalorizada por parte da indústria. “Uma redução de 60% no consumo energético é muito significativa nesta área”, refere a empresa, acrescentando que muitos transformadores ainda não quantificaram o impacto energético associado aos sistemas convencionais de secagem.

A empresa destaca igualmente a crescente adoção de sistemas gravimétricos no setor da injeção PET, contrariando a ideia de que este tipo de doseamento apenas seria economicamente viável na extrusão. “A Movacolor acabou com esse mito. Hoje é possível obter um ROI muito interessante também no mercado da injeção”.

O sistema MDS Balance Drydose da Movalor combina desumidificação e doseamento num único equipamento compacto
O sistema MDS Balance Drydose da Movalor combina desumidificação e doseamento num único equipamento compacto.

Um mercado em crescimento

Segundo o representante, os fabricantes portugueses de embalagens PET estão tecnologicamente avançados face a outros países europeus, sobretudo ao nível da maquinaria e automação, o que garante a capacidade de resposta num cenário que se prevê de crescimento.

“O mercado da embalagem de PET e rPET tem um grande potencial”, assegura Rui Folhadela. O sócio-gerente da empresa portuguesa aponta como principais razões a eficiência da reciclagem do PET face a outros materiais usados na embalagem de líquidos; os baixos custos de produção, principalmente com a utilização da tecnologia de IBM; e o facto de o transporte de preformas ser rápido e “fácil”. Além disso, o leque de aplicações pode facilmente ser alargado para produtos como a cerveja ou o leite, como já acontece noutros países.

“A reciclagem de outras embalagens para líquidos não é tão eficiente como a do PET, e isso continuará a reforçar a posição deste material nas aplicações de embalagem”

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