O INEGI está a desenvolver um trem de aterragem retrátil em materiais compósitos destinado ao ARX, um novo veículo aéreo não tripulado da Tekever concebido integralmente em Portugal para operações de elevada exigência técnica, tanto no domínio civil como na defesa. A solução deverá permitir uma redução de cerca de 10% no peso face às tecnologias atualmente disponíveis no mercado, contribuindo para melhorar a eficiência global da plataforma.
O projeto integra a agenda mobilizadora Aero.Next, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que visa reforçar as competências tecnológicas e industriais da fileira aeronáutica nacional através do desenvolvimento de produtos, processos e capacidades produtivas de elevado valor acrescentado.
Com uma autonomia de até 24 horas e um peso máximo à descolagem de 600 kg, o ARX posiciona-se entre os mais ambiciosos projetos portugueses no segmento dos sistemas aéreos não tripulados. O equipamento foi concebido para missões de vigilância marítima e terrestre, busca e salvamento, monitorização ambiental e inspeção de infraestruturas críticas.
Embora o ecossistema nacional já disponha de empresas e plataformas UAV, o ARX destaca-se pela sua dimensão, complexidade tecnológica e capacidade operacional, aproximando-se das especificações exigidas em programas internacionais de vigilância e segurança.
No âmbito da participação na Aero.Next, o INEGI é responsável pelo desenvolvimento do sistema de trem de aterragem retrátil, uma solução que combina materiais compósitos avançados com metodologias de design generativo. O objetivo passa por reduzir a massa estrutural sem comprometer os requisitos de resistência mecânica, durabilidade e fiabilidade operacional.
"Este trem de aterragem retrátil tem uma configuração pouco comum em veículos aéreos não tripulados e traz claras vantagens em termos de desempenho, redução de peso, eficiência aerodinâmica, durabilidade estrutural e confiabilidade operacional”, afirma Gil Leite, responsável pelo projeto no INEGI.
A adoção de materiais compósitos em componentes estruturais críticos reflete uma tendência crescente na indústria aeronáutica, onde a redução de peso continua a ser um dos principais fatores para aumentar a autonomia, diminuir consumos energéticos e melhorar o desempenho das aeronaves.
A agenda Aero.Next, uma das 23 agendas mobilizadoras em que o INEGI participa, pretende criar conhecimento tecnológico e capacidade industrial integrada em território nacional, apostando em áreas como o fabrico avançado, a digitalização e a inovação aplicada. O projeto constitui mais um passo no reforço da cadeia de valor aeronáutica portuguesa, num momento em que o setor procura posicionar-se em segmentos de maior intensidade tecnológica e maior potencial de exportação.

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