Empresa portuguesa participa no maior exercício mundial de experimentação robótica e de veículos não tripulados, com apoio à produção de peças e formação técnica em quatro tecnologias de impressão 3D.
A 3D Ever, empresa portuguesa especializada em tecnologias de fabrico aditivo, participa no REPMUS 2026, por convite da Marinha Portuguesa. O exercício decorre entre 31 de agosto e 25 de setembro, em Troia, Sesimbra e áreas de exercício portuguesas.
A participação é desenvolvida em parceria com a Célula de Inovação e Experimentação Operacional de Sistemas Não Tripulados, CEOV, da Marinha Portuguesa, e pretende demonstrar o potencial do fabrico aditivo em contextos de elevada exigência.
Num contentor dedicado ao fabrico aditivo, a 3D Ever reúne soluções baseadas em FDM, SLS, SLA e LPBF, demonstrando diferentes possibilidades de produção em polímeros e metais.
A presença no REPMUS (Robotic Experimentation and Prototyping with Maritime Unmanned Systems) não se limita à demonstração de equipamentos. Durante o exercício, a equipa da 3D Ever presta apoio à produção de peças necessárias às atividades, participa nos exercícios e assegura formação e acompanhamento técnico.
A possibilidade de fabricar componentes diretamente a partir de ficheiros digitais, combinada com a diversidade de materiais disponíveis e com a capacidade de produzir geometrias complexas, abre possibilidades para aplicações em desenvolvimento, manutenção e produção de componentes. Num ambiente operacional, estas características podem traduzir-se em maior flexibilidade na resposta a necessidades que surjam durante as operações.
“O convite da Marinha Portuguesa para integrarmos o REPMUS 2026 representa um importante reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver na área do fabrico aditivo. Mais do que apresentar tecnologia, queremos demonstrar aquilo que ela consegue fazer quando é colocada perante necessidades reais”, afirma Carina Ramos, CEO da 3D Ever. Segundo a responsável, a participação permite ainda “contribuir com conhecimento técnico e continuar a desenvolver novas possibilidades para o fabrico aditivo”.
A demonstração tecnológica cobre quatro processos de fabrico aditivo com características distintas. O FDM (Fused Deposition Modeling) permite a produção rápida de componentes em materiais termoplásticos, enquanto a estereolitografia (SLA) é direcionada para peças que exigem elevado detalhe, precisão e qualidade superficial.
Já a sinterização seletiva por laser (SLS) permite fabricar componentes funcionais em polímeros sem recurso a estruturas de suporte. Para aplicações metálicas, a tecnologia LPBF (Laser Powder Bed Fusion) utiliza um laser para fundir seletivamente pó metálico, permitindo produzir componentes com geometrias complexas.
A combinação destes processos evidencia uma das características centrais do fabrico aditivo: a tecnologia não constitui uma solução única, sendo selecionada de acordo com os requisitos funcionais e produtivos de cada componente.
“Queremos que as pessoas deixem de olhar para a impressão 3D apenas como uma tecnologia de prototipagem”, salienta António Hussen, Marketing Manager da 3D Ever. Para o responsável, o REPMUS permite demonstrar “o fabrico aditivo como uma verdadeira ferramenta de produção e de resposta”, colocando a tecnologia perante necessidades concretas e aproximando-a das condições reais de utilização.
A participação no REPMUS coloca o fabrico aditivo num ambiente particularmente exigente, onde a rapidez de resposta, a autonomia e a capacidade de adaptação podem assumir um papel relevante. Para a indústria dos polímeros e para os transformadores que trabalham com tecnologias de fabrico avançado, esta aproximação a aplicações de Defesa evidencia também a expansão da impressão 3D para além dos tradicionais mercados de prototipagem e desenvolvimento de produto.
O exercício reúne mais de 3000 participantes de 36 marinhas, mais de 60 empresas e entidades de investigação e desenvolvimento, 13 universidades e cinco organizações da NATO. Estão igualmente envolvidos mais de 300 sistemas marítimos não tripulados e 14 navios.
Ao longo de várias semanas, o REPMUS 2026 testa tecnologias e conceitos em ambiente operacional, promovendo a interação entre forças armadas, indústria, academia e organizações internacionais. A integração do fabrico aditivo neste ecossistema permite avaliar, em condições concretas, de que forma a produção digital pode contribuir para responder a necessidades de manutenção, substituição e desenvolvimento de componentes.
Para o setor dos polímeros, a experiência reforça ainda a crescente diversidade de aplicações associadas à fabricação aditiva de termoplásticos e outros materiais, num percurso que está a deslocar a impressão 3D de uma ferramenta essencialmente ligada à prototipagem para soluções capazes de participar diretamente em cadeias de produção e manutenção.

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