A Selenis adquiriu os ativos de produção da Polisan Hellas, na Grécia, que vão ser instalados em Portugal. A operação vai permitir à empresa ultrapassar, até 2028, as 200 mil toneladas de capacidade anual instalada de copoliésteres especiais. No total, essa capacidade estará distribuída pelas unidades de produção da Selenis em Portugal, Itália, Tunísia e Estados Unidos.
A aquisição acrescenta a tecnologia de polimerização contínua à plataforma industrial da Selenis, que combina esta solução com a produção por lotes. A polimerização contínua será utilizada sobretudo em aplicações de maior volume, nas quais a uniformidade, a consistência e o custo por tonelada são fatores determinantes. Já a produção por lotes permite responder a volumes menores, mudanças rápidas e formulações especializadas.
Com as duas tecnologias integradas na sua rede industrial, a empresa pretende fornecer os mesmos tipos de materiais a partir de mais do que uma unidade de produção. A estratégia visa reforçar a continuidade do abastecimento, reduzir a dependência de uma única linha ou região e permitir a transferência de volumes entre fábricas em função da procura e das condições logísticas.
Na Europa, os transformadores vão ser abastecidos a partir das unidades europeias da Selenis, enquanto os clientes norte-americanos serão servidos a partir dos Estados Unidos. Segundo a empresa, esta organização permite reduzir os prazos de entrega e os stocks de segurança associados à utilização de resinas importadas.
A nova capacidade de polimerização contínua vai ser direcionada para os tipos de produção de maior volume destinados a aplicações como mangas termoretráteis (shrink sleeves), filmes e chapas. A expansão contempla também os mercados dos cuidados de saúde, da impressão 3D e da reciclagem de têxtil para têxtil.
Nos cuidados de saúde, a Selenis disponibiliza a gama Selcare, sendo a qualificação em várias unidades de produção e a continuidade do fornecimento apontadas como requisitos para estas aplicações.
Na impressão 3D, a gama Mimesis inclui resinas de politereftalato de etileno modificado com glicol (PETG) e de politereftalato de ciclohexileno modificado com glicol (PCTG), destinadas a produtores de filamentos para aplicações industriais, automóveis, eletrónica, educação e consumo.
Na reciclagem de têxtil para têxtil, a gama Texnascis é desenvolvida em colaboração com parceiros de reciclagem química para transformar monómeros recuperados em novo poliéster. A Selenis contribui para este processo com a sua experiência em polimerização e capacidade industrial.
A instalação dos ativos da Polisan Hellas em Portugal integra-se no plano de duplicação da capacidade da Selenis no país, já anunciado e em execução. A empresa está também a avaliar novos investimentos na Alemanha, na área dos materiais de base biológica, e na Tunísia, onde estuda oportunidades relacionadas com a reciclagem de têxtil para têxtil através da tecnologia de dimetil tereftalato (DMT).
Segundo Duarte Matos Gil, CEO da Selenis, o reforço da capacidade industrial pretende assegurar maior capacidade produtiva, fornecimento a partir de várias unidades e competitividade para aplicações de maior volume. Eduardo Santos, diretor de Estratégia e Integração do IMG Group, salienta que os novos investimentos são avaliados tendo em conta as capacidades que podem acrescentar à plataforma industrial do grupo e os mercados com maior potencial de crescimento a longo prazo.
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