“Nenhuma grande transformação acontece apenas porque existe uma nova tecnologia. Acontece quando conseguimos criar confiança suficiente para a utilizar em conjunto. A GS1 Portugal não fornece simplesmente códigos ou standards. Fornece uma linguagem comum para a economia. Uma linguagem que permite que empresas que não se conhecem trabalhem juntas. Que sistemas diferentes se entendam. Que produtos possam ser rastreados. Que a informação circule com maior qualidade e transparência. E que empresas e consumidores possam tomar melhores decisões.” Foi com esta mensagem que arrancou a 11.ª edição do Congresso da GS1 Portugal, dedicado à ‘Economia da Confiança: o novo ativo estratégico das empresas’.
Na sessão de boas-vindas, Pedro Cid, presidente da Direção da GS1 Portugal, destacou a importância das competências humanas num contexto de transformação tecnológica, sublinhando que “o futuro pode ser tecnológico, mas a confiança continuará a ser humana”.
Numa conversa com Nuno Pinto Magalhães, chairman da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, sobre ‘Liderança, Empreendedorismo e Formas de Acrescentar Valor’, Filipe de Botton, executive chairman da Logoplaste, salientou que não tem clientes, mas sim parceiros, “porque (…) uma relação de proximidade exige que exista confiança”. Para Botton, a confiança é a palavra mais importante em qualquer relação. Acrescentou que não existe uma única razão para o sucesso, mas sim “um somatório de razões que levam ao sucesso”. À nova geração de empreendedores, deixou dois conselhos: “ser diferente” e “olhar para a inteligência artificial como um instrumento e não como um substituto. A capacidade de juízo humano não deve ser substituída”.
Depois de analisadas as condições económicas e organizacionais para gerar valor, a reflexão centrou-se na inteligência artificial (IA). Ana Paiva, professora catedrática de Inteligência Artificial do Instituto Superior Técnico, apresentou as oportunidades e os desafios associados à crescente autonomia dos agentes de IA, defendendo a necessidade de ajustar o nível de confiança às competências demonstradas pelos sistemas. Nas decisões em que o custo do erro é elevado, sublinhou que o controlo deve permanecer humano, acrescentando que a responsabilidade não se delega.
A necessidade de manter a responsabilidade humana sobre a tecnologia ganhou uma dimensão mais ampla na intervenção que encerrou os trabalhos da manhã. Paulo Portas, antigo vice-primeiro-ministro e docente na Nova SBE, analisou as mudanças no equilíbrio geopolítico e os principais desafios que se colocam à Europa, destacando a demografia, a energia, a produtividade e o investimento em inovação. O antigo governante alertou para a dificuldade de concretizar as reformas de que a Europa precisa num contexto de crescimento dos extremos. Defendeu também que os Estados Unidos precisam de uma liderança inspiradora e unificadora e assinalou os desafios internos da China.
No que respeita à IA, considerou que a tecnologia não deve ser encarada de forma genericamente positiva ou negativa. Embora apresente potencial em áreas como a produtividade, a saúde e o envelhecimento, também levanta questões quanto ao impacto no emprego, na Justiça e na Defesa. Defendeu, por isso, uma linguagem mais acessível e a manutenção das decisões de segurança e defesa sob controlo humano. Para reflexão, deixou uma questão: estará a solução entre o “dramático excesso de regulação da Europa e o dramático excesso de desregulação dos EUA”?
No encerramento do 11.°Congresso, Paulo Gomes, diretor-geral da GS1 Portugal, destacou que os diferentes temas abordados ao longo do dia convergiram numa conclusão comum: as organizações mais resilientes e competitivas são aquelas que conseguem gerar confiança e transformá-la em valor.
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