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Informação profissional para a indústria de plásticos portuguesa
APIP debate os desafios da transição para modelos de embalagem mais sustentáveis

Sustentabilidade das embalagens exige conciliar desempenho ambiental, segurança alimentar e custos

Marta Clemente30/10/2026

A escolha de embalagens mais sustentáveis não pode depender apenas do material utilizado ou de indicadores ambientais isolados. A avaliação do ciclo de vida, a capacidade de proteger os produtos, a possibilidade de reciclagem e a viabilidade económica são fatores que devem ser considerados em conjunto. Esta foi uma das ideias centrais da conferência ‘Embalagens sustentáveis: da medição à decisão’, promovida pela Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP) a 28 de outubro, no âmbito da Logipack 2026.

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A escolha de embalagens mais sustentáveis não pode depender apenas do material utilizado ou de indicadores ambientais isolados. A avaliação do ciclo de vida, a capacidade de proteger os produtos, a possibilidade de reciclagem e a viabilidade económica são fatores que devem ser considerados em conjunto. Esta foi uma das ideias centrais da conferência ‘Embalagens sustentáveis: da medição à decisão’, promovida pela Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP) a 28 de outubro, no âmbito da Logipack 2026.

O debate reuniu representantes da investigação, da indústria transformadora, das empresas utilizadoras de embalagens, dos consumidores e do sistema de depósito e reembolso Volta.

Renato Reis, coordenador de Extrusão, Composição e Materiais Avançados do Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros (PIEP), defendeu que a sustentabilidade deve ser avaliada com base em dados técnicos, e não em perceções. Considerou, por isso, importante que as análises de ciclo de vida acompanhem o desenvolvimento das embalagens desde a conceção. Sobre os materiais reciclados, explicou que estes podem apresentar maior variação de propriedades do que os materiais virgens, o que exige trabalho de investigação para reduzir essas diferenças e facilitar a sua utilização nos processos industriais.

A viabilidade dos investimentos foi outra das preocupações apresentadas por Rui Lourenço, CFO da Mani, fabricante de embalagens para a indústria alimentar. O responsável chamou a atenção para os custos elevados das máquinas e dos moldes, bem como para o ritmo a que surgem novas exigências ambientais, que obriga as empresas a ponderar cuidadosamente os investimentos. Reduzir a quantidade de plástico, por exemplo, pode comprometer a estrutura da embalagem e a sua capacidade de proteger o produto, originando reclamações, custos adicionais e uma redução da vida útil dos alimentos. “Não há empresas sustentáveis se não forem economicamente viáveis”, afirmou.

Na perspetiva das empresas que utilizam embalagens, a proteção dos alimentos continua a ser o primeiro requisito. Sofia Lourenço, técnica de qualidade sénior da Sovena, explicou que a redução do impacto ambiental não pode comprometer a qualidade e a segurança alimentar. A empresa substitui, desde 2020, PET virgem por PET reciclado e, em 2025, desenvolveu o projeto Biomimicry, através do qual reduziu dois gramas (cerca de 10%) de PET nas suas garrafas. A responsável destacou ainda a necessidade de verificar a compatibilidade dos novos materiais com os alimentos, através de testes de migração e ensaios de resistência. Na comunicação ambiental, defendeu igualmente rigor: retirar material de uma embalagem não significa, por si só, que esta possa ser apresentada como mais sustentável.

Consumidores e sistemas de recolha colocam novos desafios

A perceção dos consumidores também esteve em discussão. Susana Correia, da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, alertou para a tendência de associar o papel e o cartão a um melhor desempenho ambiental do que o plástico, quando a avaliação deve considerar todas as etapas do ciclo de vida. “O material não nos conta a história toda”, salientou. A responsável apresentou os resultados de um estudo realizado junto de dois mil consumidores portugueses, segundo o qual apenas 30% estariam disponíveis para pagar mais por um produto comprovadamente sustentável, o que demonstra que, apesar do interesse crescente pela informação ambiental, o preço continua a ser um obstáculo. A Deco defendeu, por isso, alegações ambientais claras, específicas e sustentadas em evidências, bem como informação acessível e compreensível.

Um dos pontos centrais da intervenção de Miguel Mira, diretor de Logística e Operações da SDR Portugal, entidade gestora do sistema Volta, foi a evolução da recolha de embalagens de bebidas abrangidas pelo depósito e reembolso. O responsável revelou que a taxa de retorno acumulada já ultrapassava os 40%. O objetivo é alcançar uma taxa de retorno de 90% a partir de 2029.

Miguel Mira destacou ainda os dois centros de triagem instalados, um na região de Valongo e outro na região de Lisboa, que permitem obter lotes de material com níveis de pureza superiores a 98%. No caso do PET transparente azul-claro, a pureza já ultrapassava os 99%. A logística de recolha e a qualidade dos materiais que entram no sistema continuam, contudo, a colocar desafios à operação.

A encerrar o debate, na reflexão sobre os próximos passos, Renato Reis defendeu que a sustentabilidade deve passar a integrar os requisitos de desenvolvimento dos produtos e das embalagens desde a fase de conceção.

Rui Lourenço, da Mani, considerou que esse critério será uma mais-valia para a indústria, desde que os diferentes materiais sejam avaliados ao longo de todo o seu ciclo de vida, com indicadores que permitam comparar o respetivo desempenho.

Sofia Lourenço apontou a melhoria das soluções já utilizadas e a redução de material como caminhos a privilegiar antes de avançar para alternativas mais disruptivas.

Susana Correia chamou a atenção para a necessidade de adequar as embalagens à capacidade efetiva dos sistemas de gestão de resíduos existentes em Portugal e de garantir que as soluções ambientalmente mais favoráveis são economicamente acessíveis.

Por seu turno, Miguel Mira destacou a importância da investigação e do desenvolvimento, envolvendo a comunidade científica, os produtores e os transformadores.

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